[[legacy_image_180914]] A ideia do governo de privatizar a Petrobras mexe com uma bandeira nacionalista e de esquerda, mas também seguida por alas da direita que defendem a estatização e o antigo lema do Petróleo é Nosso. A proposta de privatização está enraizada no grupo liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, que poucos dias atrás demonstrava força ao retomar o controle da estatal e agora balança sob a força do Centrão, que o culpa por não fazer o País crescer. Até parece que se Guedes caísse agora, o Brasil deslancharia com meia dúzia de medidas populistas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Pois é nesse contexto eleitoral que a venda da Petrobras foi inserida, como uma cortina de fumaça para tirar do foco o Palácio do Planalto em relação ao aumento dos combustíveis. Ainda que a Petrobras tenha alterado sua governança para se proteger contra os políticos (processo mais demorado de troca de diretoria, indicação de gerentes e bloqueio à ingerência de partidos nos contratos de centenas de milhões de dólares), a controladora é a União e ela tem o ônus de apontar os rumos da empresa nos tempos adversos. Agora, o Planalto precisa decidir se vai subsidiar o preço dos combustíveis para os caminhoneiros ou a classe média ou se será criado um fundo alimentado por dividendos da União para ser usado em momentos de alta do petróleo. Ou se fará o mesmo que o Governo Dilma Rousseff, que segurou o aumento da gasolina e do diesel consumindo o caixa da empresa, que acabou mergulhada em uma crise financeira sem precedentes. De qualquer forma, o processo de privatização da Petrobras seria demorado, se é que não será engavetado. Segundo o presidente Jair Bolsonaro, seriam necessários uns quatro anos para vender a empresa à iniciativa privada. Basta observar o caso da Eletrobras, que deve ser leiloada apenas agora, no fim da atual gestão. Estatal robusta com capilaridade nos estados e muito usada na distribuição de cargos, a Eletrobras custou a passar pelo crivo do Centrão no Congresso e quase empacou no Tribunal de Contas da União (TCU). A experiência das potências mais dinâmicas do mundo mostra em comum uma reduzida presença do estado na economia, ainda que existam estatais ou programa sociais amplos em países da Europa, principalmente os nórdicos ou a França. Porém, no Brasil, há um emaranhado de gastos com estatais e órgãos, com salários e benefícios robustos e despesas de manutenção frente a uma contrapartida de serviços muito ruim à população, que paga a conta de uma máquina pública cara, pesada e lenta. São despesas mantidas por recursos que saem dos impostos, portanto, do bolso da população e do caixa das empresas, dinheiro que poderia estar circulando diretamente na economia. O reflexo é o investimento privado mais caro e baixa competitividade em relação ao mercado externo. Enxugar o Estado é fundamental para tornar o Brasil mais barato, ágil e inovador.