[[legacy_image_319329]] Com mais um corte de 0,50 ponto percentual pelo Banco Central na última quarta-feira, trilha-se um caminho para tornar mais barato o financiamento do consumo e a produção. O mais importante é que a taxa anual, agora de 11,75% ao ano, estava em 13,75% em junho, e o BC se pronunciou pela continuidade das reduções, sem fixar se o ritmo vai ser elevado, por exemplo, para 0,75%, ou quando os juros deixarão de cair para a autoridade monetária observar o comportamento da economia. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Ao contrário do que pregam o PT e, agora, com menor insistência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o crescimento mais robusto do País não depende apenas do tombo da Selic, como se houvesse um efeito mágico sobre o Produto Interno Bruto (PIB). Há ainda os efeitos da inflação, das contas públicas e das taxas dos títulos do Tesouro americano. Portanto, a base à esquerda do governo, ao atacar o programa de austeridade do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, faz um desserviço ao País, gerando desconfiança no mercado, que não é composto apenas por instituições financeiras, mas também por empresas e consumidores. Ainda que a inflação esteja viva, permanecendo pouco abaixo do teto de 4,75% (o ponto máximo de aumento de preços tolerado pelo BC), ela segue comportada. Há pontos de atenção, como os serviços, alguns alimentos e produtos sujeitos às cotações internacionais. Por sorte, combustíveis, minérios e alimentos não enfrentam pressão tão preocupante no exterior devido ao baixo crescimento ou recessão dos países ricos. Por exemplo, o petróleo, mesmo com cortes de produção, não consegue avançar além de US\$ 85 o barril. Porém, o ponto fraco do Brasil é o gasto público. Com o arcabouço (que limita o aumento das despesas à expansão das receitas) criado por Haddad, ainda que seja uma regra com pontos falhos, o mercado consegue vislumbrar o tamanho do endividamento estatal nos próximos meses. Sem um freio, ainda mais em ano eleitoral e com os aliados do Planalto obcecados para turbinar programas sociais, lançar obras e acelerar o crescimento, em uma espécie de injeção de anabolizante que no futuro terá seus reflexos ruins, os investidores tendem a esperar por um estouro do déficit. Esse rombo nada mais é do que pagar juros ao mercado, atraindo recursos para cobrir uma arrecadação de impostos que se tornou insuficiente devido ao aumento dos gastos. Portanto, com o risco ampliado, os investidores exigirão taxas mais altas de um governo sob suspeita de calote. Por outro lado, o País precisa estar com as contas em dia, enquanto os próprios EUA estiverem com juros elevados. Como se trata de uma economia muito estável, suas taxas mais atraentes forçam o Brasil a pagar mais ainda ao comprador de títulos públicos. Portanto, teorias de que o déficit gera crescimento não têm o mínimo cabimento e são cartas marcadas para o País mergulhar no precipício da crise financeira.