[[legacy_image_277221]] Encerrado o suspense com o rápido motim liderado por Yevgeny Prigozhin, dono do grupo mercenário Wagner, que começou na sexta-feira e terminou no sábado, resta aguardar os reflexos da rebelião sobre o presidente russo Vladimir Putin. As primeiras análises é de que ele saiu enfraquecido, mas já há opiniões de que Putin aproveitaria para se fortalecer perante seus generais, que estão no centro da crise. Além disso, Putin teria que demonstrar controle rigoroso internamente ou usar força total na Ucrânia, o que preocupa a Casa Branca. No caso do Brasil, especificamente do presidente Lula, resta aguardar os acontecimentos e evitar declarações precipitadas também para evitar mais críticas da aliança do Ocidente. O petista já se postou como intermediário da paz, fez declarações sobre o conflito e na sexta foi chamado de “falso amigo do Ocidente” e de tolerar a invasão da Ucrânia em reportagem do jornal francês Libération, de linha editorial de centro-esquerda. Tal posição da imprensa francesa mostra como está deteriorado o clima na Europa, que teme uma expansão da guerra para outros países, eventuais ocupações russas em direção ao oeste ou mesmo uma incrível pressão de milhões de refugiados espalhados pelo continente. A crise na relação do Grupo Wagner com Moscou não é de agora. Há meses Prigozhin reclama da falta de suprimentos militares para suas forças no leste ucraniano, estima-se de 25 mil soldados, com muitas baixas. Na sexta, ele alegou que suas tropas foram atacadas pelos russos em uma situação sem muitas explicações até agora, e decidiu seguir para Moscou, ocupando Rostov-on-Don, a apenas 122 quilômetros da fronteira da Ucrânia. Inicialmente se falou em tentativa de golpe em curso. No dia seguinte, após Putin prometer punição, houve um acordo intermediado por Belarus, onde Prigozhin deve estar, sem uma repressão ao Wagner. Ontem, Putin disse que os responsáveis serão investigados e que os soldados que retornarem ao leste ucraniano serão integrados às forças russas, o que em tese enfraquece o grupo mercenário. Desde o começo, Prigozhin mirou o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, e o chefe do Estado-Maior, Valery Gerasimov. Shoigu continua no posto, mas Gerasimov não foi mais visto, diz a imprensa ocidental. Putin paga agora alto preço por ter um aliado como Prigozhin, que também tem missões na Síria e África. O mercenário, que é um dos oligarcas da Rússia, teve uma origem mais humilde. Após deixar a prisão, condenado por pequenos crimes na adolescência, começou com barracas de cachorro-quente em São Petersburgo e depois restaurantes caros, conhecendo Putin, que ainda não tinha se tornado presidente. De supermercados a cassinos, Prigozhin ganhou contratos do governo e hoje tem até minas. Mas já foi acusado pelo Ocidente de torturas e mortes a marteladas. É com esse perfil que Putin tem que lidar.