O egoísmo ajudou o vírus

Os líderes mundiais não entenderam nada do que é a pandemia, que não respeita fronteiras e contorna barreiras aéreas

Por: Redação  -  03/12/21  -  07:02
Ômicron, nova variante do coronavírus, foi tema de encontro emergencial
Ômicron, nova variante do coronavírus, foi tema de encontro emergencial   Foto: Reprodução/Unsplash

Desde que as mutações da covid-19 começaram a ser reveladas, os cientistas já alertavam que a vacinação é a mais eficiente forma para evitar o surgimento de uma cepa resistente. Em caso de áreas ou faixas da população descobertas, o vírus corre para lá e em seu processo de sobrevivência encontra vulnerabilidades para se espalhar e escapar do escudo dos anticorpos.


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Ainda não se sabe se de fato a Ômicron realmente vai anular ou reduzir a efetividade dos atuais imunizantes ou mesmo se os agora infectados desenvolverão sintomas graves, levando à exaustão os sistemas públicos de saúde. Espera-se que ambas as possibilidades se revelem as mais brandas possíveis, porém, é preciso estar preparado para consequências mais graves.


Mas prevenção ou bom senso não é o que se viu na maior parte dos países que mais tinham condições de controlar a doença, considerando suas capacidades de pesquisar e produzir imunizantes. Nos Estados Unidos e Europa, os movimentos antivacina ou certa displicência estagnaram o andamento da cobertura vacinal. Em quase todos os estados americanos a imunização completa é bem inferior à do Brasil (63%) ou à paulista (75%), como 47% no Mississipi e 45% em Idaho e Wyoming e 59% no total dos EUA. Na Europa, com exceção de Portugal, com 86%, a aplicação das duas doses não avança além das faixas de 60% e 70%. Já a antes elogiada Nova Zelândia atingiu 70% e a Austrália, 73%. Esses países correram com a vacinação, quando a doença reapareceu em meio a uma cobertura baixa estimulada pelo comodismo gerado pelo até então sucesso dos lockdowns.


Infelizmente, não foram cumpridas as promessas de levar a vacina aos países pobres. Enquanto Lesoto tem 26,7% da população com vacinação completa e a África do Sul, 24,3%, na Nigéria, esse percentual é de apenas 1,7% e na Etiópia, de 1,34%. Lesoto e África do Sul são alguns países que estão com voos bloqueados para boa parte do mundo por serem a origem dos primeiros casos da Ômicron. No caso do Brasil, há três infecções comprovadas de passageiros que chegaram da África do Sul e da Etiópia. Já o governo da Nigéria disse que um de seus infectados veio da África do Sul em outubro, sinal de que a variante já se espalhava antes de novembro.


A Nigéria tem 206 milhões de habitantes, pouco menos dos 213 milhões do Brasil, e a Etiópia, 115 milhões. Os dois países africanos, pobres e provavelmente com sistemas de saúde debilitados, somam mais de 300 milhões de não vacinados, um contingente para uma farta explosão da covid-19 e, consequentemente, futuras gerações de cepas. Por isso conclui-se que os líderes mundiais não entenderam nada do que é uma pandemia, que não respeita fronteiras e contorna barreiras aéreas. As grandes potências sequer conseguiram convencer suas populações a se imunizarem – pelo menos poderiam ter cedido mais vacinas às nações repletas de pobres e miseráveis.


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