A taxa de desemprego de 14,2% no trimestre até janeiro, segundo apontou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), impõe a necessidade do governo arregaçar as mangas para estimular o mercado de trabalho. Entre as possibilidades estão ferramentas já experimentadas, como mais crédito para pequenas empresas com garantia de recursos do Tesouro e até medidas emergenciais para preservar o emprego. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O que não pode acontecer é a equipe econômica permanecer em uma eterna discussão sem implantar algo, permitindo mais deterioração. O desempenho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), com 401 mil vagas geradas em fevereiro, deixou uma impressão de que a situação melhorou. Na verdade, esse levantamento considera apenas o registro em carteira – o informal não é levado em conta pelo Caged (mas está na pesquisa do IBGE) e é especificamente ele que passa mais dificuldades na pandemia. A informalidade será atendida pelo auxílio emergencial já neste mês, mas o valor mais acanhado gera dúvidas se dará conta das reais necessidades das famílias empobrecidas. Os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), que é o amplo estudo do IBGE, são desconcertantes. A taxa de desemprego encerrada em janeiro é a pior já registrada, considerando que o levantamento começou em 2012. Os trabalhadores desempregados superam os 14,2 milhões no País – um acréscimo de 2,5 milhões em relação a janeiro do ano passado. Desde esse mês até agora, 8,1 milhões de brasileiros perderam seu trabalho. A Pnad Contínua é mais ampla e, por isso, conseguiu identificar outros 5,9 milhões estatisticamente considerados desalentados – aqueles que gostariam de trabalhar, mas não buscam vaga por acreditarem que não encontrarão uma vaga. Trata-se de um perfil que mascara a real condição do mercado de trabalho em uma pesquisa como a do Caged. Na prática, falta emprego para 32 milhões de brasileiros. Segundo a gestora de recursos AZ Quest, se todos os trabalhadores aptos decidissem procurar emprego, a taxa de 14,2% daria um salto direto para 20%. Por mais desanimadoras que sejam as estatísticas, o aumento da taxa de desemprego também está relacionado à reabertura da economia ao longo do semestre passado – o trabalhador se sentiu animado para tentar uma oportunidade. Porém, o impacto das atuais medidas de restrição devido à pandemia será sentido somente nas próximas pesquisas. Por isso, a aceleração da vacinação é fundamental para garantir a volta da economia – simultaneamente também fica claro o escândalo da demora do governo de se render à necessidade de investir em imunizantes. A recuperação econômica, que era esperada já para este início de ano, foi empurrada para o final deste semestre ou o próximo. Dessa forma, o mercado de trabalho vai se manter no pior dos mundos, o que exigirá estímulos mais acentuados.