[[legacy_image_253536]] Quebra de banco nos Estados Unidos (o Silicon Valley) na semana passada, startups demitindo às centenas e, no Brasil, varejistas com dificuldades para pagar suas contas e sistema financeiro receoso de fazer empréstimos não são mera coincidência. Ainda que as causas variem, como má gestão, fraudes e tendência de recessão, o pano de fundo são os juros altos no País e pelo mundo afora. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No Brasil, as taxas elevadas são velhas conhecidas, assim como seus impactos – o dinheiro mais caro desestimula o consumo e os investimentos, os recursos são direcionadas para a renda fixa, o País para de crescer e o desemprego sobe. Entretanto, EUA e Europa passaram quatro décadas de inflação e juros baixíssimos e desaprenderam a viver com a subida dos preços de alimentos, serviços e insumos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dado uma espécie de basta, exigindo queda da taxa Selic. Mas em uma economia que criou mecanismos para se ajustar à subida de preços e com contratos que automaticamente são corrigidos por índices, como IPCA e IGP-M (por exemplo, o do aluguel), o descuido do Banco Central ou a sensação de que a autoridade monetária está tolerante com os reajustes em geral vai gerar uma desconfiança e ninguém mais segura a inflação. O Silicon Valley quebrou porque detinha títulos desvalorizados devido à subida dos juros. Por outro lado, as startups ou mesmo as grandes empresas de tecnologia já não iam bem porque dependiam de muito crédito para crescer rapidamente, adiando o lucro ao acionista. Agora esse financiamento secou ou ficou mais caro. Por isso, as demissões se espalham porque esses negócios precisam gastar menos, serem mais eficientes e gerarem ganhos logo. Enfim, têm que dar resultado como qualquer empresa do mundo capitalista. No Brasil, algumas grandes varejistas enfrentam dificuldades com o crédito mais caro. Tomar dinheiro emprestado não é ruim e para os lojistas é uma forma comum de adquirir mercadorias e manter bons preços ao consumidor. Porém, quando há uma suspeita de que alguém não vai pagar, os bancos se retraem. O caso Americanas, cujos balanços tinham um rombo contábil de R\$ 20 bilhões e depois se revelou que sua dívida era de ao redor de R\$ 40 bilhões, prejudicou todo o setor, que vem de uma pandemia e uma clientela retraída pelo desemprego e alto endividamento. Algumas companhias, como Marisa e Tok&Stok, anunciaram reestruturação, que é buscar meios para pagar dívidas cada vez mais pesadas. O governo não pode, e nem tem como, resolver os problemas do setor privado, mas não precisa ampliá-los. O equilíbrio fiscal e as regras para evitar gastos desenfreados, substituindo o teto pelo tal arcabouço, uma palavra feia que simboliza o cuidado com o dinheiro público, se tornaram fundamentais para estimular a redução do custo do dinheiro. No fim das contas, a austeridade do Estado é a base para os juros mais baixos.