[[legacy_image_344411]] Com uma inflação bem comportada e expansão do trabalho com carteira assinada, as famílias melhoraram seu nível de poupança. Para os próximos meses, há dois caminhos – os investimentos financeiros dos brasileiros continuarem aumentando ou boa parte dessa reserva virar consumo, o que é positivo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Porém, se isso se der de forma desenfreada, haverá pressão sobre a inflação. São questões que precisam ser bem estudadas, e não apenas comemoradas, pois a economia do Brasil é ineficiente, sujeita a desequilíbrios que podem comprometer toda a dinâmica de recuperação do País. Essa propensão ao consumo está em uma pesquisa feita pelo Banco BTG, em reportagem do jornal Valor. O estudo aponta que as famílias pouparam 8,3% da renda bruta no ano passado, frente a 7,2% em 2022 e a uma média anual histórica de 6%. Essa conta (poupança das famílias) é expressiva e movimenta R\$ 5,5 trilhões, que são recursos investidos em fundos e na caderneta e depósitos a prazo. Uma variação de um ponto percentual equivale a R\$ 55 bilhões, suficiente para o PIB subir 0,5 ponto. No auge da pandemia, em setembro de 2020, a poupança das famílias atingiu 14,85%, um pico incomum, mas conforme a época, de isolamento inibindo o consumo, e também de um medo que estimulava formar reserva para um futuro difícil. Agora, há um contexto de maior segurança, com notícias que indicam uma recuperação gradual da economia, e uma taxa Selic em queda, portanto, de redução dos ganhos com renda fixa (títulos públicos e privados, por exemplo). São sinais de estímulo ao consumo, mas que não garantem essa expectativa – seca, guerras e volta da inflação podem reverter essa tendência favorável. Entretanto, essa estatística precisa ser compreendida. O nível de poupança é muito importante para o crescimento de um País, pois é um recurso que alimenta o crédito a juros baixos. Mas no Brasil, essa capacidade de guardar dinheiro, abaixo de 10%, é muito tímida, se comparada com extremos da Ásia, ao redor de 50%. Por outro lado, por aqui há um grande endividamento das famílias, entre 70% e 80% delas, o que reduz a sobra mensal para consumir. Caso a inflação retorne com força, os juros básicos tenderão a subir, o que vai ampliar o saldo devedor da população e frustrar qualquer retomada do consumo. Portanto, o risco de um desequilíbrio permanece importante. Essa piora pode se dar pela gastança pública, com uma injeção pressionando os preços rapidamente, sem que, por exemplo, a indústria, consiga responder a um crescimento de demanda. Não que não se possa dar um empurrão na economia, o que condena o País ao baixo crescimento. É preciso avançar sem aventuras demagógicas, fazendo minirreformas pontuais, além das atuais, mais profundas e ainda em discussão, e destinando recursos estatais de forma austera.