[[legacy_image_228172]] A estimativa de crescimento do varejo paulista neste ano, de 9%, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), é um resultado robusto e que deve ser comemorado, lembrando que este percentual já desconsidera a inflação. É verdade que vários indicadores, inclusive o do Produto Interno Bruto (PIB), apontam para uma desaceleração da economia no segundo semestre por uma combinação de fatores que deixaram de fazer efeito, como estímulos eleitorais tomados na primeira metade do ano, mas o importante é que o comércio demonstre vigor frente aos dois primeiros anos da pandemia (2020 e 2021). De acordo com a própria FecomercioSP, o setor que lidera esse bom desempenho é o de varejo de vestuário, tecidos e calçados, que avançou 22% entre janeiro e setembro em relação a igual período do ano passado. As lojas de autopeças e acessórios venderam 14% mais e as concessionárias, 10%, enquanto farmácias faturaram mais 11%. Entre os resultados mais fracos estão supermercados, com 5%, talvez devido ao castigo da inflação sobre os alimentos e o desemprego mais elevado no primeiro semestre. Existe o efeito estatístico de comparar este ano, que não tem mais restrições da pandemia à interação social, com o anterior, ainda muito marcado pelos efeitos da covid-19, mas a reação do consumidor poderia ter sido muito mais retraída. As pesquisas de endividamento familiar e das empresas impressionam. Além disso, o desemprego está em queda, mas parte da recuperação dos postos de trabalho se dá pelo mercado informal com média salarial mais baixa. Para piorar o ambiente, os juros básicos estão em níveis elevadíssimos. Mesmo assim, o varejo consegue aumentar suas vendas, talvez porque há uma demanda reprimida sendo atendida agora ou quem fez poupança durante o período agudo da pandemia resolveu ir às compras. De qualquer forma, atrair o consumidor de volta é o melhor resultado que se podia esperar para que as vendas consigam dar um reforço de caixa – para pagar dívidas, renovar estoque e gerar empregos. Para o próximo ano, a FecomercioSP vê incertezas, dependendo de qual será a política econômica do novo governo. Entretanto, se for observado o lado apenas do comércio, as vendas devem melhorar com a injeção de recursos públicos por meio de programas sociais, como o Bolsa Família, que além da continuidade dos R\$ 600 mensais terá um reforço de R\$ 150 por criança até seis anos, e o Farmácia Popular, e mais o aumento acima da inflação do salário mínimo. Mas há o risco desse investimento pesado com recursos públicos aquecer a inflação ou mesmo fazer explodir o endividamento do governo, problemas que trazem recessão no médio prazo. O novo governo enfrentará ainda enormes pressões do lado da Previdência, do reajuste represado dos servidores e de tantas promessas mais que foram feitas na campanha.