[[legacy_image_284893]] Na semana passada, com o calor extremo, os incêndios se espalharam pelas ilhas gregas de Eubeia, Corfu e Rodes, sendo que nesta última milhares de turistas foram retirados às pressas, esvaziando hotéis. Esse é apenas um exemplo de que as mudanças climáticas, trágicas para o meio ambiente e muitas populações, também têm impacto sobre a economia. Talvez esse seja um motivo mais objetivo para que governos e grandes corporações façam algo mais pragmático e de forma rápida para reduzir o ritmo do aquecimento do planeta. Segundo reportagem do Financial Times, publicada no jornal Valor, em 21 anos contados a partir dos anos 1990, o aumento do calor provocado por humanos custou US\$ 16 trilhões, conforme estudo do Dartmouth College, de New Hampshire, EUA. A conclusão é que as mudanças climáticas retardam o crescimento global. Contudo, há impactos pontuais mais acelerados, por exemplo, em países-ilhas, cidades à beira-mar e regiões que dependem do derretimento do gelo das montanhas ou que hoje já são tórridas e poderão chegar a níveis insuportáveis às espécies. Na média, as temperaturas subiram 1,1°C desde a era pré-industrial. Porém, há partes do globo em que a evolução é mais rápida, principalmente nas mais frias. Já houve pontos do Ártico onde o gelo desapareceu no verão ou fez 20°C. Mas, no cálculo dos custos devido ao calor, os registros se multiplicam, como pistas de aeroportos que empenam, o aço que enverga ou o concreto que endurece mais rápido, segundo o Chartered Institute of Building, e fábricas e cozinhas de restaurantes que precisam modificar seus horários de trabalho ou instalações. Inúmeras moradias mais antigas do Hemisfério Norte têm janelas pequenas e paredes grossas e pouca infraestrutura para a climatização. Também se imagina que turistas pensem duas vezes antes de escolher período e locais de suas férias para evitar enchentes e incêndios florestais. Na Europa, EUA e China, talvez seguradoras estejam recalculando seus balanços devido ao verão deles. Ainda há impactos devastadores no agronegócio. Argentina, Uruguai e parte do Rio Grande do Sul sentiram recentemente o peso da seca implacável, enquanto alguns cientistas dizem que o Nordeste poderá sofrer com falta de chuvas devido ao El Niño. Perdas no campo têm efeito nefasto sobre pequenos produtores, enquanto a subida dos preços dos alimentos expõe milhões à fome. Migração para energias e materiais sustentáveis geram incríveis oportunidades econômicas e muitas empresas e países se beneficiarão delas. Entretanto, uma reação branda às mudanças climáticas poderá ampliar o sofrimento e condenar partes do globo a uma pobreza implacável. Sacrifícios terão que ser feitos. Porém, para reduzir os efeitos do aquecimento sobre populações e economias, não há muito mistério – tudo depende de proteger o meio ambiente e de como se extrai as riquezas da natureza.