[[legacy_image_228751]] Nunca se falou tanto, em tão pouco tempo, sobre a inexorável elevação da temperatura do planeta e suas consequências para a humanidade, entendendo humanidade em seu espectro mais amplo: atividade econômica, saúde, mobilidade urbana, custo da alimentação, relação com a fauna e flora, turismo, acesso a bens de consumo e serviços e segurança hídrica, apenas para citar algumas das relações mais estreitas que se estabelecem entre o homem e o meio e que serão diretamente impactadas diante das mudanças climáticas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A percepção que se tem, porém, é que esse debate ainda está restrito ao ambiente acadêmico, a algumas esferas de governo, a alguns setores da economia, a especialistas que militam na área e à imprensa, mas ainda não tomou conta do inconsciente coletivo. Prova disso é que, encerradas as eleições, não se viu, entre os debates aos executivos e legislativos, propostas concretas nesse sentido, ou planos de governo que contemplem ações e projetos para inserir essa temática de forma mais assertiva e perene, com orçamento, equipe e metas. O que parece concreto é que, apesar das mudanças climáticas atingirem todos os países, algumas regiões estão mais suscetíveis que outras, e é com essa certeza que a Baixada Santista pode ter que lidar com mais frequência a partir de agora. Nesse sentido, é preciso olhar com atenção o Plano Regional de Adaptação e Resiliência Climática da Baixada Santista, um conjunto de medidas e providências que precisam ser adotadas a partir de agora para preparar a região ao que virá até o final do século, em uma curva crescente de aumento da temperatura, combinada com chuvas mais intensas e por períodos mais longos. O plano foi elaborado por técnicos da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado, pela Agência Metropolitana da Baixada Santista e pelas nove prefeituras da região, o que confere às propostas ali inseridas um grau de consenso capaz de resitir à iminente mudança de governo. E será positivo que assim seja, já que o tema transcende políticas partidárias ou ideologias. O tema é urgente e a Baixada Santista, assim como a maioria dos mais de 5 mil municípios brasileiros, está atrasada no conjunto de medidas que tenham por objetivo mitigar ou conferir resiliência às intempéries do clima. Importante destacar que falar sobre adaptação não exime governos e sociedade de continuar em busca da descabonização das atividades humanas, já que os impactos serão tão menores quanto mais eficazes forem os planos que rebaixem a emissão de gases de efeito estufa. O plano para a Baixada Santista será lançado hoje, na Capital. Que o trabalho, o tempo, os recursos e os avanços científicos que o sustentam sejam um guia para conduzir os gestores públicos, o setor privado e toda a sociedade a um cenário melhor para a região, que garanta não só a sobrevivência de sua população, mas a perenidade de suas atividades.