[[legacy_image_298458]] Há algumas décadas uma recessão nos Estados Unidos, há mais de 120 anos a maior economia mundial, já era vista com preocupação pelo Brasil - e o resto do mundo. Isso continua, mas um gigante despontou na Ásia, a China, cuja atual estagnação ou baixo crescimento, ainda a definir, também pode virar uma dor de cabeça para vários países. O Brasil está entre eles, pois a China é destino de quase um terço das exportações brasileiras, quase tudo agronegócio, minério de ferro e petróleo. Segundo A Tribuna publicou ontem, a FGV prevê que a balança comercial (exportações menos importações) brasileira atingirá US\$ 80 bilhões neste ano, 29% acima dos US\$ 61,8 bilhões de 2022, um feito excepcional. Apenas com a China, o Brasil tem superávit de US\$ 33 bilhões, enquanto com os EUA há um déficit de US\$ 2,6 bilhões, ambos no acumulado de janeiro a agosto. A prosperidade de regiões sustentadas pelo agronegócio espalhadas pelo País, do interior rico de São Paulo às cidades jovens do Mato Grosso e até o sul do Piauí e oeste da Bahia, onde hoje a soja avança, tem a ver com a necessidade chinesa por commodities. Não se deve esquecer ainda da Vale e Petrobras, as maiores pagadoras de dividendos aos acionistas no País, muito disso resultante das vendas ao gigante asiático. Mas a China está agora em uma grande confusão, que é uma crise muito séria concentrada no setor imobiliário, responsável por um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Além de empregadoras de dezenas de milhares de trabalhadores, as incorporadoras fornecem imóveis que compõem os investimentos de milhões de chineses, com megaempreendimentos simultâneos em centenas de cidades. A produção de moradias na China é tão intensa que os lançamentos são fontes de receitas fundamentais para os municípios não tão industrializados. ] Porém, há uma desconfiança que tirou muitos compradores do mercado, seja porque temem o desemprego ou salários menores ou por acharem que essas empresas imobiliárias poderão quebrar, conforme reportagem do Valor. Uma delas, a Country Garden, tem passivo de US\$ 186 bilhões, enquanto a Evergrande afundou com projetos faraônicos e despesas desmedidas. Quem ficaria tranquilo adquirindo na planta apartamentos de companhias nessa situação? O governo tenta estimular o setor com muito crédito, porém, após décadas de produção aos montes, o mercado caminha para o ajuste, que pode ser a desvalorização das propriedades, ruim para os investidores. Além disso, a China perdeu acesso a chips avançados dos EUA. Contudo, a economia asiática tem vitórias, como se tornar polo de veículos elétricos. Por sorte, a China tem importadores como o Brasil, para onde poderá desaguar manufaturados sem risco de sanções. Por isso, como parceiro estratégico, o Itamaraty poderia usar de sua experiente diplomacia comercial para negociar vantagens para os brasileiros.