[[legacy_image_244039]] Há uma máxima que diz que “as coisas no Brasil só começam depois do Carnaval” e que antes disso não adianta esperar muitas providências ou tomadas de decisão por parte de governos e até mesmo de alguns setores empresariais. O bordão, em parte, faz sentido, razão pela qual as agendas setoriais e governamentais parecem ganhar mais fôlego e consistência após as folias de Momo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O Carnaval acontece em duas semanas. Porém, a julgar pela sucessão de intercorrências políticas que vêm de Brasília, é possível prever que as urgências e emergências que aguardam apreciação dos parlamentares precisem esperar um pouco mais. E esse retardamento pode ser fortemente prejudicial para um país que precisa crescer e que não se recuperou nem mesmo dos prejuízos acumulados na pandemia. Há mais de um mês, o Brasil vive de sobressaltos. Logo após a posse do novo governo, quando tudo parecia se encaminhar para uma retomada das rotinas, os atos golpistas de 8 de janeiro desviaram a atenção e a agenda de providências não só do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como de seu corpo de ministros, do Congresso e da Suprema Corte. A barbárie cometida ali ainda reverbera nos discursos oficiais, como foi esta semana no reinício dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal, assim como nas eleições das duas casas legislativas. Após a escolha dos presidentes do Senado e da Câmara Federal, mais uma bomba eclodiu em Brasília: a denúncia do senador Marcos do Val (Podemos-ES) de suposta tentativa de golpe envolvendo o ex-deputado federal Daniel Silveira e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mais desvio de atenções por parte dos recém-empossados parlamentares e dos ministros do Supremo. Em uma democracia, é esperado que movimentos políticos e articulações entre aliados de plantão subvertam as prioridades em benefício de seus próprios interesses e disputa de poder, mas é preciso admitir que, nos últimos meses, a dose de adrenalina política tem sido demasiada para os brasileiros, que já vêm de quatro anos de sobressaltos na arena ideológica. Não se está defendendo que denúncias não sejam investigadas ou recebam pouca atenção por parte de quem deve investigá-las ou dos executivos, porém, não faltam motivos para esperar que a pauta econômica e social comece a ganhar mais espaço e providências efetivas. Reforma tributária, redefinição de orçamento para auxílio às famílias carentes, estratégias para retomada do protagonismo da indústria brasileira, inserção do Brasil na cadeia financeira dos créditos de carbono, formação de novas alianças multilaterais, entre outras ligadas à saúde, educação e infraestrutura são apenas algumas delas. A perdurarem os sobressaltos políticos, que o Governo, o Congresso e o Judiciário tenham a habilidade necessária para dividir as atenções e entender a necessidade premente de fazer o País andar para frente. E não de lado.