[[legacy_image_294049]] Com 5,5 bilhões de barris extraídos, o Brasil completou, neste sábado (2), 15 anos da primeira produção comercial de petróleo do pré-sal, segundo reportagem do jornal Valor. Em uma conta simples com base no preço de sexta-feira da commodity, o País teria faturado US\$ 479 bilhões desde então – o equivalente a um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) de 2022 do País. Porém, paralelamente a toda essa riqueza, há uma série de erros e expectativas frustradas que reduziu o potencial de ganho do País com o pré-sal. Nestes 15 anos, o governo alterou regras da exploração, gerando atrasos nas licitações, e houve uma aposta exagerada nos resultados econômicos que o País teria com o produto. Na região, ocorreu uma espera por investimentos em massa que não se confirmaram. Além disso, diz o Valor, a política de estímulo à produção nacional de equipamentos foi muito restritiva, sem os grandes resultados projetados. Hoje, plataformas acabam sendo fornecidas por estaleiros chineses. Mas se deve reconhecer que nesse período a Petrobras, que enfrentou a corrupção e a maior dívida corporativa do mundo na década passada, manteve firme seus projetos no pré-sal, reduzindo o custo de produção. A empresa também passou a reinjetar o gás natural que é retirado juntamente com o petróleo. Esta é uma meia boa notícia, pois se reduz o impacto ambiental. O lado ruim é que o País até hoje não desenvolveu infraestrutura para aproveitar esse gás, mais limpo, apesar de ser fóssil, e não investiu na migração das indústrias e serviços do País para essa matriz energética. Além disso, o Brasil não fez investimentos em refinarias, que hoje não conseguem suprir o consumo nacional de derivados, o que exige importação de parte dessa demanda ao mesmo tempo em que se exporta petróleo do pré-sal. Aprimorou-se ainda o sistema de royalties para compensar as cidades atingidas pelo impacto do pré-sal. Do sonho de usar tais recursos, por exemplo, na educação ou no salto da qualidade de vida, na prática esse dinheiro se tornou mais uma fonte de receita para os municípios. Quando há queda do petróleo, muitas prefeituras sofrem com a perda de arrecadação. Por fim, especialistas acham que o País terá menos petróleo do que o projetado, apesar de haver muito volume a extrair, conforme o Valor. Neste ano, são 3,2 milhões de barris por dia, com expectativa de chegar a 4,3 milhões em 2029. O problema é que 2029 é considerado o ponto em que a extração começará a cair, recuando para 4 milhões em 2032. No fim das contas, percebe-se que o País, com sua tradição de mudar regras a todo momento e não conseguir aproveitar ganhos cíclicos para beneficiar a sociedade e modernizar a economia, tem perdido uma oportunidade preciosa. É possível consertar isso, potencializando os ganhos com o pré-sal? Sim, mas com menos tempo para reagir. Até porque uma hora chegará ao fim o predomínio do petróleo no mundo, a depender da própria evolução das matrizes limpas.