[[legacy_image_152390]] A subida dos juros pelo Banco Central era vista como uma espécie de flecha mágica contra a inflação, que não teria como resistir a uma taxa Selic por volta de 12% ao ano (hoje está em 10,75%). Porém, o próprio BC vê o risco do Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar pressionado por período mais longo. Um dos motivos desse alerta está na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Combustíveis que, por meio da redução de impostos, tenta derrubar a alta dos preços da gasolina e do diesel. A conclusão é que a medida encolherá a arrecadação dos governos - o Federal e os estaduais - asfixiando ainda mais as contas públicas em ano eleitoral e de pressão por mais gastos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Portanto, se essa PEC sair, não haverá como evitar futuras medidas com mais impostos para compensar as perdas de receita. Com essa proposta, os juros já estão sob pressão no mercado, que tende a cobrar taxas mais altas porque prevê uma deterioração das contas públicas. É assim que funciona: quanto mais fragilizado está o tomador de crédito, no caso o governo, mais o investidor vai cobrar devido ao aumento de risco. Basta observar os títulos do Tesouro, que estão com taxas elevadas para papéis que vencem no curto prazo, bem parecidas com os mais longos, com vencimento em 2045 e 2055. Quando os mais curtos remuneram quase o mesmo, é sinal de desconfiança na gestão do Ministério da Economia. Mas a inflação está cada vez mais cercada por uma tempestade perfeita. Além do risco de mais crise fiscal por força de gastos eleitoreiros, há a pressão das commodities, que se valorizam sem parar no mercado externo devido à oferta inferior à demanda. Para piorar, a seca causou a quebra das safras de soja, arroz, milho e feijão, com risco de uma retomada da inflação dos alimentos se a produção não se recuperar. A torcida do governo é de que a queda do dólar nos últimos dias atenue o impacto da subida do petróleo nos combustíveis. Entretanto, segundo o jornal Valor, economistas alertam que as matérias-primas agropecuárias e minerais, que tanto sobem no exterior, acabam embutindo inflação por conta própria no Brasil. O ministro da Economia, Paulo Guedes, tenta vender uma imagem de recuperação das contas públicas e crescimento vigoroso. Na verdade, há um grande efeito da inflação sobre os impostos e uma reabertura, que resultam de estatísticas sobre bases baixíssimas. Mas daqui para frente os efeitos dos juros altos serão sentidos na economia, com o adicional do baixo consumo devido ao crédito caro e os preços que demoram a cair. O que Guedes evita admitir em suas falas públicas é um sério risco às contas públicas. Os gastos se avolumam sem receitas previstas para compensá-las e a usina de ideias caras e eleitoreiras do Congresso continua à solta, até porque praticamente os rumos da pasta da Economia dependem do aval do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, que nada tem de austero.