[[legacy_image_229250]] Um dos pilares da indústria brasileira, o segmento químico depende de uma política de desenvolvimento em busca de competitividade internacional e de adaptação a novas tecnologias e à sustentabilidade. No 27º Encontro Nacional da Indústria Química (Enaiq), organizado pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) na Capital, a transição para uma economia verde e investimento em fontes energéticas menos poluentes, como o gás natural, abundante no pré-sal, mas mal aproveitado pelo País por falta de infraestrutura, foram alguns dos temas mais discutidos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Deve-se ressaltar que esses debates são essenciais para Cubatão, que é um dos mais importantes polos petroquímicos do País e que teria imensos ganhos em caso de uma nova fase do desenvolvimento químico brasileiro. De acordo com a Abiquim, o segmento químico tem uma capacidade ociosa de 30%. Dessa forma, essas indústrias poderão desenvolver rapidamente novos projetos devido a uma infraestrutura pronta para funcionar, o que reduz o montante de investimentos. Porém, é preciso ter condições para concorrer com países notadamente de baixo custo, geralmente da Ásia. Há questões que dependem de melhorias que levariam muitos anos, como dar mais qualidade a uma educação de base e ampliar o ensino técnico, formações importantes para o nível da mão de obra, que na química exige maior capacitação. Também é fundamental haver uma sequência sustentável de investimentos em infraestrutura, desde os modais tradicionais do transporte, como rodovias, portos e ferrovias, até a expansão dos dutos. No caso do gás natural, as empresas, e não só as químicas, precisam ter a garantia desse suprimento para realizar investimentos de migração energética. Esse insumo é extraído no pré-sal juntamente com o petróleo e tem um impressionante mercado consumidor no Estado de São Paulo. Há outras questões de natureza tributária, que dependem de uma reforma e que o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pretende realizar. Entretanto, ela precisa ser voltada à redução dos custos de mão de obra e da produção para que a indústria química possa competir com o mercado externo. Porém, nas últimas tentativas de revisão dos impostos, o foco esteve na simplificação dos tributos e em uma eficiência administrativa para melhorar a arrecadação pelos governos. Porém, empresas e os cidadãos precisam de um horizonte de menor tributação, o que exige uma máquina estatal mais enxuta e ágil. O Brasil registra um histórico de políticas industriais pouco eficientes, que foram descontinuadas ou que perderam sentido pelo próprio avanço da tecnologia. Entretanto, o País é uma das poucas economias diversificadas do mundo e não pode perder essa qualidade, que tem tanto potencial para gerar empregos de melhor remuneração, pesquisas científicas e produtos em condições de ganhar o mercado internacional.