[[legacy_image_303188]] O conflito entre Israel e o Hamas, deflagrado no fim de semana após uma inesperada invasão do solo israelense, terá implicações mundiais. Há o risco de uma escalada, com inclusão do Irã, Líbano e Arábia Saudita, além de um provável apoio dos Estados Unidos a Tel Aviv e até um envolvimento da Rússia. Ontem, os mercados reagiram com a subida do petróleo, que permaneceu abaixo de US\$ 90 o barril, sem queda da Bolsa, talvez porque já havia uma aversão ao risco relacionada à alta dos juros americanos. Mas conforme o andamento dessa grave crise geopolítica no Oriente Médio, os efeitos econômicos com certeza aparecerão. O Brasil tenta se inserir como uma voz ativa na diplomacia mundial e neste mês é o presidente rotativo do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O colegiado se reuniu no domingo para discutir o confronto entre Israel e Hamas, e como se previa não houve consenso. Nas redes sociais, há muita discussão sobre o tema, lembrando que os evangélicos têm muita afeição por Israel e a esquerda defende a causa palestina, de criação de um estado independente. Entretanto, as imagens divulgadas no fim de semana dos corpos empilhados dos participantes da festa de música eletrônica em Israel, atacados por militantes do Hamas nas primeiras horas da invasão, não deixam dúvidas de que se trata do mais bárbaro terrorismo. Segundo um brasileiro sobrevivente, um dos militantes passou de parapente metralhando as vítimas. Além disso, civis em Sderot, cidade próxima a Gaza, foram executados em ponto de ônibus e muita gente foi assassinada na estrada. Com a vantagem tecnológica de Israel, o Hamas se baseou em uma tática de guerrilha desconectada o máximo possível dos sistemas eletrônicos. Ontem, Israel convocou 300 mil reservistas e pelo menos 100 mil soldados estavam próximas a Gaza, indicando uma invasão por terra. É provável que as forças israelenses já tenham há um bom tempo planos prontos para a necessidade de uma operação como essa ou em caso de conflito com o Irã ou Hezbollah. Porém, há 130 reféns, restringindo uma reação em potencial. Outro problema é a geografia de Gaza, com apenas 365 Km2 – 1,3 vez a área de Santos– e com 2 milhões de habitantes. Uma fuga em massa de refugiados pressionará os países vizinhos e a Europa, onde a imigração já é um tema explorado pela extrema direita. Ontem, o Irã negou ter apoiado o Hamas, mas politicamente a ação favoreceu os iranianos. Antes do confronto, Israel estava se aproximando da Arábia Saudita, que impôs como condição uma solução para os palestinos. Outro inimigo de Israel, o Hezbollah, se entrar no conflito, envolverá sua base, o Líbano. Também está em jogo o futuro do premiê Benjamin Netanyahu, que dividiu o país com seu projeto que enfraquece o Judiciário e que está sendo cobrado pela falha de não descobrir a tempo os planos do Hamas. Por isso, ele sabe que não poderá falhar daqui para frente.