[[legacy_image_255141]] O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), das Nações Unidas, deu um tom mais realista e dramático às discussões do tema e alertou que “é provável” que a meta de aquecimento de no máximo 1,5°C até 2100 não será atingida (deve passar disso). Tal afirmação é de extrema gravidade por ameaçar a existência das espécies frágeis e prejudicar em alto grau os mais pobres, vulneráveis a alagamentos e deslizamentos. Por outro lado, a seca e o impacto na produção de alimentos ampliam a possibilidade de fome para muitos povos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Para evitar que o aviso soe como esforço apenas para fazer barulho, os cientistas expuseram alguns dados. Como fator para o pessimismo com o acerto da meta de aquecimento, o IPCC diz que para cumpri-la já seria necessário o planeta estar em um ritmo de redução de emissão de CO2 e outros gases estufa que, segundo os acordos, (a emissão) precisaria cair pela metade até o fim desta década. Pelo contrário, a produção desses poluentes avançou 12% nos últimos dez anos. A régua do aquecimento máximo de 1,5°C é calculada em relação à temperatura da era pré-industrial, de meados do século 19. A necessidade de atingir essa meta tem sido discutida cansativamente nas conferências do clima da ONU. A próxima será a COP28, em Dubai, entre 30 de novembro e 12 de dezembro próximos. Cercadas de grandes expectativa, as anteriores foram marcadas pelo impasse, com a definição de uma agenda só no fim para não frustrar os ambientalistas e os governos não serem expostos como inoperantes. O nó se dá quando se chega ao ponto de investir dinheiro para mitigar os efeitos nocivos ao meio ambiente e financiar a migração para energias mais limpas. É como subir uma montanha para se chegar ao ponto de inflexão no topo. A caminhada é lenta e extenuante, com custos que podem não ser compensados com resultados. Uma vez no cume, com sucesso, a descida tende a ser rápida e sem muito esforço. Esta comparação serve para a troca do petróleo, poluidor, mas lucrativo e de grande eficiência técnica, por várias tecnologias sustentáveis – que exigem muitos recursos e retorno demorado até resultarem em ganho de escala (de uso mundial e padronizado, o que reduz os custos). Por outro lado, há três divisões de países que precisam ser integradas. Os ricos, os emergentes, que cada vez concorrem e tomam mercados do primeiro grupo, e os mais pobres, com populações ainda em rápido crescimento e futuro incerto, como Nigéria, Etiópia e República Democrática do Congo. Para piorar, o mundo agora se divide entre amigos dos Estados Unidos e Europa ou da China e Rússia, o que vai dificultar acordos econômicos e ambientais. Como alertou o IPCC, a cada 0,5°C acima da meta de aquecimento de 1,5°C, mais trágicos serão os impactos no mundo. Espera-se que os líderes mundiais, mesmo com suas diferenças, entendam a importância de agir agora.