[[legacy_image_46768]] O País há pouco saiu dos picos de casos de covid-19, entre o fim de março e meados do mês passado, e já começam a ser notadas deteriorações das estatísticas. Duas cidades do Interior, Franca e Batatais, adotaram toque de recolher, sendo que Batatais até vetou o encontro de pessoas nas ruas e praças. Já o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios (Sindhosp) apontou que, de 90 instituições privadas paulistas, 85% estavam com 80% ou mais de lotação para covid-19 entre os dias 11 e 17 (em 30 de abril eram 79% das unidades de saúde). Além disso, 58% dos hospitais pesquisados têm estoque de kit intubação suficiente para 15 dias. Para oxigênio, o percentual é de 51% para igual número de dias. No Nordeste, Pernambuco restringiu as atividades em 53 cidades do Agreste e a Bahia acaba de prorrogar o isolamento em todo o estado até do dia 25. São situações aparentemente pontuais, o que é previsível para um país de dimensões continentais, mas que mostram que a disseminação da pandemia continua e que a debilidade do sistema de saúde pode evoluir com rapidez para o colapso. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Imaginou-se que as medidas mais restritivas adotadas para combater a doença, principalmente quando ela superava o pico diário de 4 mil mortes, acima do recorde nos Estados Unidos em janeiro e agora um pouco inferior ao da Índia (pelo menos conforme os dados oficiais de lá), seriam suficientes para derrubar as estatísticas no País. Isso realmente ocorreu, mas a um nível muito desapontador, com 2 mil óbitos, o dobro do que se via há um ano, quando os números atingiam o que até então era o pico da pandemia. De qualquer forma, o que se pensava era que essa queda dos números coincidiria com um avanço da vacinação a um ritmo mais aceitável. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no ímpeto de mascarar o negacionismo e o desinteresse de seu chefe pelas medidas mais eficientes para controlar o novo coronavírus, passou a bradar que os imunizantes chegariam a passos cada vez maiores. Tudo não passou de conversa e, mais uma vez, se vê o fracasso do Governo Federal em articular alguma coisa em relação a essa doença. Simplesmente os insumos se esgotaram, paralisando a produção de doses no Instituto Butantan e na Fundação Oswaldo Cruz. Agora fica o risco de o vírus voltar a se multiplicar ainda mais diante da falta de cuidados da população, que considerava que o pior havia passado. Com a vacinação desacelerada, ainda não foi computado o impacto disso sobre a retomada da economia, cujos indicadores iniciais sinalizam uma volta até melhor do que o esperado, reflexo evidente da confiança na imunização. Neste momento, até a figura do ministro anda ofuscada pelas confusões do governo, em meio à CPI e as suspeitas sobre o colega do Meio Ambiente, Ricardo Salles, enquanto autoridades municipais e estaduais parecem confiar que a doença vai desaparecer pelo cansaço do vírus. A displicência já reacendeu a pandemia uma vez e poderá fazer isso de novo.