[[legacy_image_299894]] A soja lidera as notícias do agronegócio, espalhando-se pelo território nacional, injetando capitais em cidades pequenas que movimentam serviços e ampliam a renda média. Entretanto, a consolidação da agropecuária se dá agora pelo lado da diversificação, com o Brasil como maior exportador mundial de açúcar, celulose, frango in natura, carne bovina, soja em grão e, neste ano, milho, superando os Estados Unidos, além do tradicional café. E tudo indica que o algodão logo entrará nessa lista. As condições climáticas favoreceram o Brasil, pelo menos por enquanto, pois a seca gerou enormes prejuízos para Argentina, Paraguai e Uruguai e parte dos EUA. Por aqui, houve quebra de safra no período 2021/2022, mas sem a dimensão das perdas da Argentina. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A diversificação da produção, seja pelas várias culturas, seja pela distribuição geográfica das fazendas, garante estabilidade econômica e alimentar. É possível que um determinado produto seja abatido por uma praga, como o algodão e cacau tempos atrás, com outros itens sustentando as vendas externas. Mas também é importante que mais estados tenham o agronegócio como elo importante de sua economia. Até os anos 1980, a produção estava concentrada em São Paulo, Minas Gerais e Região Sul. Depois a agropecuária se expandiu ao Centro-Oeste, Bahia, Piauí, Rondônia e até Roraima. Isso também traz segurança, pois a dimensão continental registra ao mesmo tempo diferentes fenômenos climáticos. Por exemplo, a metade sul do Rio Grande do Sul sentiu a seca que atingiu a Argentina e Uruguai. Com o El Niño, cientistas dizem que o Nordeste poderá sofrer falta de chuvas, talvez abundantes no Sul-Sudeste. O agronegócio não gera empregos como indústrias ou serviços nas grandes e médias cidades, até porque a produção foi mecanizada. Entretanto, a agropecuária faz transformações econômicas, sociais e culturais, que talvez os analistas apontarão como similares às do café. Esse produto injetou capitais no Estado no fim do século passado, financiando a indústria paulistana. Neste ano, o Censo mostrou que as novas fronteiras agrícolas, além de áreas mineradoras, foram as que mais expandiram suas populações, enquanto metrópoles, prejudicadas pelo baque dos serviços na pandemia, pararam de crescer ou até perderam habitantes. O segmento de commodities (agropecuários e minerais) é cíclico e também tem fases de revés. Por isso, o Brasil não pode deixar de lado sua indústria, que depende de inovação e formação técnica, e os serviços, que exigem crédito barato. Sem políticas adequadas, o País perderá os ganhos que tem agora com o campo e mineração. Além disso, não se pode ignorar reflexos ambientais, como o avanço sobre áreas da Amazônia e do cerrado, e riscos de escassez de chuvas no Sul-Sudeste (devido à destruição da Amazônia) e do esgotamento dos rios. São problemas que precisam ser devidamente discutidos.