[[legacy_image_253350]] USP, Unesp e Unicamp, as três universidades públicas do Estado de São Paulo, lançaram na semana passada uma nova ideia de acesso para estudantes que concluíram o Ensino Médio nas escolas estaduais. A proposta, que vem sendo chamada de vestibular seriado, avaliaria o estudante ao final de cada um dos três anos do Ensino Médio, e a nota de acesso seria computada a partir desses resultados. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na prática, seria como transformar o Saresp (prova que avalia a qualidade do ensino da rede estadual de São Paulo) em uma ferramenta de acesso semelhante à utilizada nas universidades norte-americanas, em que os estudantes também fazem provas seriadas. A proposta já foi feita ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), e as três instituições querem iniciar o modelo ainda este ano. Atualmente, o Saresp é aplicado apenas no 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e no 3º ano do Ensino Médio, mas há uma queixa de falta de interesse por parte dos estudantes porque, na prática, o modelo só serve para avaliar a qualidade do ensino. Se fosse transformado em porta de acesso às três universidades públicas estaduais, haveria um estímulo real. Além disso, os alunos que têm intenção de continuar os estudos no Ensino Superior público precisariam se empenhar nos três anos do Ensino Médio para obter boas notas nas provas seriadas. Apesar de quererem implementar o modelo já neste ano, as universidades precisam aprovar o novo processo seletivo em instâncias internas, como os conselhos de graduação e os conselhos universitários. Além disso, será preciso esclarecer pontos que ainda estão nebulosos, como se essa nova porta de acesso exclui as cotas convencionais para alunos de escolas públicas ou seria um acréscimo, e como ficará a situação de estudantes que não fizeram todo o Ensino Médio na rede estadual, mas apenas parte dele. De qualquer forma, reavaliar métodos e atualizá-los quando for possível é um caminho salutar e positivo. Utilizar o Saresp como ferramenta do vestibular parece ser uma boa iniciativa. As universidades acrescentam um argumento extra para validar esse modelo: ao avaliar os estudantes da rede estadual, ano a ano, haveria um acompanhamento de desempenho mais próximo, podendo corrigir rotas, reforçar conteúdos que estejam falhos e ajustar metodologias que possam não ser eficientes. As três universidades públicas do Estado têm nível alto de excelência e reconhecimento internacional, inclusive. É legítimo que estejam cuidando de selecionar os melhores alunos da rede pública para ocupar suas vagas, como ocorre nas instituições norte-americanas. Porém, é preciso cuidar para que os não contemplados com essas vagas tenham alternativas, caso desejem seguir no Ensino Superior e o único caminho seja a rede pública. Baixo desempenho nas provas seriadas nem sempre será fruto de falta de empenho do estudante. Que essa discussão não fique fora do radar.