[[legacy_image_246692]] “Manter o sistema climático regulado não é só para salvar a arara- azul. Estamos falando de agricultura, de sobrevivência da humanidade”. A frase emblemática é do pesquisador e sócio fundador da Global Forest Bond, Artur Villela Ferreira, em entrevista a A Tribuna publicada ontem. Nela, Villela desmistifica o conceito de preservação ambiental como algo estritamente ligado à fauna e flora, ou discurso de preservacionistas fanáticos. Em outras palavras: se a temperatura do planeta sobe, todos sofrem as consequências. E em um universo em que o estágio de desenvolvimento industrial é desigual, sofrerão mais os países pobres, sem condição financeira de criar mecanismos para se adaptar às mudanças que já são sentidas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Há dois caminhos de enxergar esse cenário, e a boa notícia é que já é possível adotar aquele em que a preservação pode se transformar em receitas. Desde o Acordo de Paris, em 2015, em que 196 países assinaram protocolos assumindo compromissos de redução de emissão de gases de efeito estufa, tem-se um cenário favorável para o Brasil, onde a oferta de florestas e áreas verdes é infinitamente maior que no resto do mundo. Até então, manter árvores de pé significava, para o Brasil, apenas ajudar a regular o regime de chuvas no planeta, absorver carbono saturado da atmosfera e, com isso, preservar espécies da fauna e da flora que ajudam no equilíbrio desses biomas. Agora, porém, há um franco mercado financeiro que precifica e paga para os países e empresas que preservam as florestas, os chamados créditos de carbono: quem não consegue reduzir as emissões de gases de efeito estufa pode comprar créditos de quem consegue, e essa é uma das vertentes positivas para o Brasil. Ocorre, porém, que a possibilidade de gerar créditos vem sendo reduzida pelo desmatamento ilegal, que representou, em 2022, 50% de todas as emissões de carbono da economia brasileira. Em outras palavras: o Brasil precisa fazer sua lição de casa antes de ingressar nesse rico mercado internacional, cada vez mais exigente com sua cadeia de fornecedores. O debate sobre créditos de carbono é amplo, e também representa novos caminhos para a economia da Baixada Santista, com grande parte de seu território de Mata Atlântica protegido pela legislação ambiental. Artur Villela vai além em se tratando de Baixada Santista: o polo industrial de Cubatão pode gerar outros créditos ao adotar outras medidas verdes, como uso de energias limpas e descarbonização de seus processos. Se para o Brasil essa temática está apenas começando, para a Baixada Santista muito mais. No entanto, importante que entre na pauta de debates por parte dos entes públicos, agências reguladoras e entidades que representam cada segmento. Fazer da economia verde um nicho para a região pode representar não apenas novos recursos, mas o fim do conceito de que o meio ambiente preservado só atrapalha seu desenvolvimento.