[[legacy_image_180661]] O estudo da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado, que prevê aumento médio para a temperatura de 1,5°C a 2°C até 2050, é mais um levantamento que serve de alerta para as mudanças climáticas. Porém, essa pesquisa, feita em parceria com a agência alemã Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (Sociedade Alemã de Cooperação Internacional, em português), merece ser melhor observada, pois foi realizada com recorte para a Baixada Santista. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Essa média é de difícil compreensão pela população no contexto do aquecimento que fará parte da rotina de todos daqui a 30 anos, mas o que preocupa é que os dias mais quentes do ano poderão ficar insuportáveis, com até 5°C acima do que já se tem no período mais tórrido do verão. Os impactos não só na saúde, como também na economia e na rotina, serão profundos. Haverá também um gasto muito maior no consumo de energia para aumentar a refrigeração e as construções terão que ser adaptadas para reter menos calor. O estudo foi apresentado na segunda-feira durante o fórum A Região em Pauta, realizado pelo Grupo Tribuna com o tema Mudanças Climáticas e a Baixada Santista. Um dos autores do levantamento, o pesquisador Pedro Camarinha alertou ainda que Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe sofrerão mais com o calor do que as demais cidades da região. Os debates no evento e também em outras conferências do clima sinalizam que será difícil reverter a tendência de aumento das temperaturas, mas que ainda há tempo para impedi-las que atinjam níveis extremos. Se o pior acontecer, áreas imensas ficarão inviáveis para a agricultura e o derretimento das calotas polares provocará o alagamento de grandes cidades costeiras, causando uma migração com reflexos sociais imprevisíveis. O pesquisador do campus Baixada Santista da Unifesp, Ronaldo Christofoletti, disse que o efeito do calor excessivo nos oceanos poderá deixar os continentes em uma espécie de banho-maria. A conclusão é que o País terá que acelerar o passo para chegar ao carbono zero em 2050 para compensar o que não foi feito nas últimas décadas. Mas não é possível ser otimista com essa meta. O crescimento das grandes economias e a guerra da Ucrânia indicam uma dependência ainda profunda do petróleo. As energias renováveis têm muito a se expandir e ganhar em eficiência e redução de custos em relação às fontes fósseis. O contexto é assustador, mas a esperança persiste. No caso de Santos, a Cidade aprovou em janeiro o Plano de Ação Climática, com metas a cumprir entre 2025 e 2050. Ele prevê investimentos habitacionais para os moradores das áreas de risco e a troca de um quinto da frota do transporte público por veículos não poluentes. Mas a experiência mostra uma inabilidade brasileira para cumprir planejamentos, geralmente postergados ou esquecidos nas gavetas. Sem ação, as perspectivas em relação ao clima são as piores possíveis.