[[legacy_image_192157]] A promulgação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Benefícios, na quinta-feira, coroou a expectativa do Governo de que os gastos previstos de R\$ 41 bilhões ampliarão as chances de sucesso do projeto da reeleição. Não existe consenso de que haverá o impacto eleitoral desejado, mas no Palácio do Planalto a estratégia é garantir o segundo turno e depois investir na campanha do antipetismo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entretanto, é possível que o clima econômico melhore pelas cotações do petróleo, que nesta semana acumulam uma queda de quase 20% desde maio, o que dispensaria o cerco dos políticos governistas à Petrobras. Curiosamente, se os preços da estatal não avançarem devido à desvalorização da commodity, o esforço estimado em R\$ 17 bilhões com a redução de impostos dos combustíveis se mostrará exagerado, reforçando a probabilidade dos eleitos em outubro retomarem a tributação no próximo ano. Mas é preciso admitir que o petróleo, além de volátil, não é regido apenas por regras de mercado. Qualquer estopim geopolítico poderá levá-lo às alturas de novo. Há ainda o risco do dólar subir ainda mais. Se, de um lado, os gastos públicos e a disputa política estimulam a procura pela divisa americana, por outro, lá fora, a inflação e a elevação dos juros americanos para enfrentá-la empurram o dólar para cima. Como os títulos públicos americanos, os mais seguros, pagam mais, já há uma fuga de investidores para lá, prejudicando os emergentes. No caso do Brasil, a inflação tende a cair. Ainda assim, continuará nas alturas, sob previsão de sair dos atuais 11% para 8% no fim do ano. Porém, há o risco dos recursos da PEC pressionarem ainda mais os preços dos alimentos e combustíveis, pois haverá mais consumo. A PEC traz outro efeito, que é o de porteira aberta. Para aprová-la, foram alteradas regras constitucionais, fiscais e eleitorais, que poderão levar a brechas nas outras instâncias do Executivo ou estimular o Legislativo a mudar leis bem consolidadas para atender interesses pontuais. Além disso, o teto de gastos, que limita as despesas públicos, foi desacreditado. A experiência mostra que, sem travas, os políticos gastam de forma irresponsável. Para a campanha eleitoral, economistas dizem que o Auxílio Brasil de R\$ 600 pode ter algum impacto mais rápido, mas os demais benefícios não, porque ainda precisam ser criados, como o vale-caminhoneiro. Nos debates, o presidente deve dizer que acertou ao lançar a PEC, pois teve o apoio da oposição. Já os adversários afirmarão que essas medidas valem só até dezembro e são eleitoreiras. Os analistas dizem que a economia será a grande baliza das eleições, considerando o desemprego ou a perda do poder aquisitivo. Mas há outros assuntos essenciais para milhões de eleitores, como saúde, educação, meio ambiente, causas LGBTQIA+, das mulheres (misoginia, machismo, feminicídio), racismo, violência e corrupção, que deverão ter seu peso nas urnas.