[[legacy_image_287386]] É previsível e até recomendável que estados regionalmente próximos se organizem em defesa de interesses comuns ou para resolver problemas que há décadas os atormentam. A formação de consórcios por municípios, serviços de saúde e saneamento, e até supermercados é uma forma de reduzir custos e demonstrar força em negociações. Entretanto, a forma como o governador mineiro Romeu Zema (Novo) se pronunciou, de que o Sul-Sudeste deve se opor aos estados do Nordeste, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, no domingo, sinaliza uma divisão política que não é construtiva. As colocações, como a em que diz que as vaquinhas que produzem muito devem reclamar se as que produzem menos tiverem “tratamento bom”, em uma referência às diferenças econômicas entre, respectivamente Sul-Sudeste e Nordeste, soaram muito mal. Há até uma incoerência eleitoral, pois o estado de Minas Gerais é considerada fundamental para se ganhar eleição presidencial. Segundo analistas, Minas, por sua posição geográfica (central e vizinha a São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Goiás, entre outros), interage com economias e costumes diferentes, representando um perfil nacional nas urnas. Entretanto, a fala dele teria algum aproveitamento se fosse para revisar a representação das unidades da federação no Parlamento, que ao longo das décadas deixou de equivaler ao número de habitantes no caso dos deputados. Tal mudança beneficiaria São Paulo e os estados que apresentarem maior incremento de habitantes, neste momento, do Norte e Centro-Oeste. Rivalidades e embates existem e são positivos até pela concorrência e a busca por eficiência para atrair negócios. Por exemplo, o Piauí cresce com o agronegócio e fez melhorias notícias no ensino, assim como a Bahia se industrializou. Porém, o viés de Zema é político e o pano de fundo, apesar de mirar objetivos práticos, como a reforma tributária, acena para as próximas eleições presidenciais. Entretanto, não se deve trabalhar para dividir o País conforme conveniências políticas, e isso vale para qualquer governo e corrente política, pois no fim é preciso chegar a um consenso pelo entendimento nacional para que o País se desenvolva como um todo, com trocas comerciais e culturais que consolidam qualquer nação. Analistas consideram que Zema errou politicamente e que suas declarações poderão ser relembradas quando ele próprio buscar votos no Nordeste, considerando suas pretensões eleitorais. Também é impensável haver uma chapa presidencial composta apenas por lideranças do Sul-Sudeste. Nesta semana, o mineiro foi alvo de críticas por seus comentários de domingo, por exemplo, do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (União-MG), do governador da Paraíba e líder do Consórcio Nordeste, João Azevêdo (PSB). A única garantia é que Zema conseguiu exposição no noticiário para se popularizar. Falta saber se eleitoralmente ele conseguirá extrair ganhos dessa polêmica.