[[legacy_image_217074]] O Brasil chega à última semana de campanha eleitoral sem qualquer prognóstico sobre o possível resultado das urnas para o cargo de presidente da República. Não obstante as últimas pesquisas eleitorais apontarem leve vantagem do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), é correto afirmar que as fotografias do momento estão mais voláteis, nebulosas e instáveis. Arrisca-se quem queira cravar qualquer resultado com base no que tem sido visto até aqui. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em toda a história da República e, particularmente, no recorte de tempo das últimas três décadas, poucas vezes se viu uma disputa tão polarizada, tão antagônica e repleta de episódios que acabam virando motivação política, de parte a parte, para acionar o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal. Não é desejável que assim seja, mas era esperado que um segundo turno com dois candidatos ocupando posições tão distintas tivesse esse enredo. Essa campanha passará para a história como uma das mais frenéticas em atos violentos, como os que têm sido vistos pelos seguidores e correligionários de Lula e Bolsonaro. Tanto nas redes sociais como em atos políticos nas ruas e em locais públicos, a motivação ideológica tem sido responsável, inclusive, por assassinatos e tentativas – o último, inclusive, aqui na região. Apesar de todos os movimentos feitos pelos órgãos do Judiciário, de instituições, entidades e grupos de comunicação, predominam nas campanhas políticas os enredos baseados em fake news. Nas décadas de 80 e 90, a distribuição de conteúdos falsos era feita por meio de panfletos apócrifos e boatos espalhados em locais de grande concentração. Tinham impacto limitado e seus efeitos logo se dissipavam. Com o advento e proliferação das redes sociais, o impacto das fake news se potencializa muitos graus acima do imaginado, contribuindo de forma decisiva para o resultado de uma eleição. Além de números e estatísticas maquiados, especialistas na produção e distribuição de boatos e notícias falsas têm a seu favor ferramentas poderosas e de manipulação perfeita aos olhos do público, como as deepfakes (técnica que altera vídeos). Esse arsenal de instrumentos da tecnologia, associado à baixa capacidade de parcela significativa da população em acompanhar o debate político e fazer checagens, torna a disputa sofrível, vergonhosa até. Ideal seria que, de parte a parte, os argumentos estivessem fundamentados em uma fotografia real da situação do País e um confronto de ideias sobre como pretendem enfrentá-los. Ambos os candidatos têm experiência no comando do País, ninguém melhor do que eles para ter a dimensão do que o Brasil precisa para crescer e sanar seus problemas sociais. É pouco provável que essa trajetória tenha outro rumo nesta última semana. Desejável, no entanto, é que ambos acenem para seus seguidores com armas menos beligerantes. Todos precisam de paz para voltar às urnas no próximo domingo.