[[legacy_image_326792]] Chuvas de elevada intensidade voltaram a causar transtornos, entre sexta-feira e domingo, em partes do Sudeste, em especial na Capital e no Rio de Janeiro, e ainda na Baixada Santista. São enxurradas da modalidade que surpreende motoristas, arrastando seus veículos, alaga moradias que custaram economias de uma vida inteira, derruba árvores e encostas, e, o mais terrível, causa mortes. O mau tempo é típico do verão, mas desde o ano passado os registros assumiram características diferentes, com alto volume pluviométrico em curto período de tempo. São fenômenos atribuídos ao El Niño, que esquenta as águas do Pacífico, influenciando o mundo todo, piorado pelas mudanças climáticas. Na Região Metropolitana de São Paulo, um motorista não percebeu à noite que uma estrada em Juquitiba estava inundada e o carro foi arrastado, com uma criança de 6 anos morrendo afogada. No Rio, onde foram registradas 11 mortes decorrentes da chuva, impressionou a cena do alagamento da Avenida Brasil. Cubatão teve o maior índice pluviométrico do Estado de São Paulo no sábado, com 194 milímetros em 24 horas. Com a cheia do Rio Pilões, pelo menos 50 moradores tiveram que sair de casa. Houve inundação também em São Vicente, Praia Grande e Santos, onde os morros ficaram em estado de alerta. Com a repetição desses casos, os governos municipais, estaduais e Federal precisam unir esforços para enfrentar não apenas os efeitos das chuvas, mas para tomar medidas preventivas, o que exige muito planejamento. Os sistemas de alerta às populações de áreas de risco e a conscientização para que as famílias abandonem suas casas, além da divulgação sobre o que fazer nas inundações tanto de residências como de avenidas de muito tráfego, são fundamentais. Entretanto, é preciso ir adiante e ser mais ambicioso, mirando mais investimentos na infraestrutura das regiões muito adensadas. Moradias precárias em encostas ou nas margens de rios são reflexo de décadas de falta de investimento em habitação, assim como as cidades hoje rapidamente ficam inundadas não apenas pela deterioração climática, mas porque a urbanização avançou sem respeitar o meio ambiente e não foram desenvolvidos projetos essenciais, por exemplo, relacionados à drenagem. Apesar da multiplicação dos casos de enxurradas violentas e as perdas de vidas cada mais recorrentes, ainda não há um plano nacional para esse fim, pelo menos que tenha sido apontado como prioridade. Por enquanto, são discutidas soluções locais ou, após cada ocorrência catastrófica, a vida volta ao normal até a próxima tragédia, que pode ser nas próximas semanas e em cidades diferentes. Porém, a sociedade não pode ficar à mercê da sorte e, mesmo que tais fenômenos sejam inesperados, é preciso haver alguma previsibilidade, não só pela qualidade dos alertas por modernos equipamentos, mas com um amplo planejamento em várias frentes.