O avanço das mulheres no mercado de trabalho tem sido grande nos últimos tempos no Brasil. Segundo o IBGE, menos de 14% delas tinham emprego nos anos 1950, mas no Censo de 2010 esse número passou para 49,9%. As projeções são de crescimento na próxima década: de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2030, 64,3% das mulheres em idade ativa, com 17 a 70 anos, estarão empregadas ou buscando trabalho. A maior presença feminina nas várias profissões tem explicações culturais, sociais e econômicas. As mulheres conquistaram espaços, vencendo barreiras e preconceitos, e têm se qualificado para o mercado de trabalho, com formação universitária e técnica nas carreiras. Mas devem ser consideradas as pressões financeiras que obrigaram que mais mulheres buscassem trabalho como forma de garantir o orçamento familiar. A redução do número de filhos, as mudanças tecnológicas que exigem menos tempo para os afazeres domésticos, e o crescente número de mulheres que não se casam favoreceram sua inserção nas atividades laborais. Apesar desses avanços, há clara inferioridade feminina na questão salarial. Mesmo tendo havido queda nessa desigualdade entre 2012 e 2018, elas ganham, em média, 20,5% menos do que os homens. E isso pode ser notado especialmente em carreiras de grande destaque. Relatório da União Brasileira de Compositores (UBC) mostrou que, entre os cem compositores brasileiros que mais arrecadaram direitos autorais em 2019, apenas dez são mulheres. A discriminação fica ainda mais evidente quando se analisam as posições de comando e direção. As mulheres são aceitas no mercado de trabalho, mas há barreiras enormes quando a questão do poder se coloca. Dados de 2018 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que 37,5% dos juízes estaduais são mulheres, mas informações disponíveis nos sites dos Tribunais de Justiça em fevereiro de 2020 apontam que elas são apenas 20% do total de desembargadores, magistrados que julgam processos de segunda instância. Em São Paulo, onde está o maior Tribunal do país, o quadro é ainda pior: há somente 31 mulheres entre seus 360 desembargadores, menos de 9% do total. Em Pernambuco, das 52 vagas, só 1 (2%) é ocupada por uma magistrada. Na política, a desigualdade brasileira é enorme. Em área que lida diretamente com o poder, a participação feminina é reduzida. Só há duas mulheres ministras (uma delas, Damares Alves, ocupando pasta que trata de tema especificamente feminino), 77 deputadas federais (para o total de 513), 11 senadoras (entre 81) e uma governadora (Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte). Segundo o Mapa da Política 2019, relatório da ONU e da União Interparlamentar (UIP), o Brasil ocupa o 134º lugar entre 193 países pesquisados quanto à participação feminina no Parlamento.