[[legacy_image_288659]] Quinze mil médicos devem ser contratados até o final deste ano para o programa Mais Médicos, relançado pelo Governo Lula, segundo estimativa do Ministério da Saúde. A intenção é atenuar os vazios assistenciais que ainda existem nas regiões de extrema pobreza e nos municípios mais longínquos. Para que isso ocorra, prevê-se a reorganização da oferta de novas vagas de graduação e residência médica, com o objetivo de qualificar a formação dos especialistas. O governo acredita que 96 milhões de brasileiros serão atendidos na Atenção Primária à Saúde, com investimentos de R\$ 712 milhões. Como na primeira versão do programa, lançado no governo de Dilma Rousseff, o Conselho Federal de Medicina é contrário ao chamamento de profissionais formados no exterior (brasileiros ou não) para atuarem no Brasil sem passar pelo Revalida. O governo, desta vez, criou estímulos maiores para que médicos brasileiros aceitem trabalhar em locais mais carentes. Além de benefícios financeiros, haverá abatimento de dívida para os recém-formados que tiverem estudado com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). São avanços importantes que podem reduzir a necessidade de trazer médicos de fora sem validação do diploma. É importante destacar que o Brasil não carece de médicos, pelo contrário. O que há é má distribuição em um território de dimensão continental. Segundo relatório, o número de médicos que se formam anualmente bateu recorde nos últimos anos. Em 2022, foram 39,5 mil novos profissionais, mais do que o dobro de 2010 (18,7 mil). A taxa é de 2,56 profissionais para cada mil habitantes, índice de países desenvolvidos, como Japão (2,5), Estados Unidos (2,6) e Canadá (2,7). A questão é que a boa medicina não se faz apenas fixando o profissional nas cidades que carecem de atendimento. A boa medicina depende de diagnósticos, acesso a tratamento, medicamentos, hospitais para cirurgias, procedimentos e internações. Sem esse suporte, os resultados esperados não virão, ainda que se pondere o fato de que esses profissionais do Mais Médicos tenham seu principal foco na atenção básica. Atualmente, 150 milhões de brasileiros dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), realidade na qual o orçamento é de menos de R\$ 25,00 mensais por pessoa. Esse valor é dez vezes menor do que o destinado pelos sistemas de saúde em países desenvolvidos. Dessa forma, é clara a constatação de que o cobertor é curto para permitir o acesso integral, universal e gratuito à população. A eficiência do Mais Médicos dependerá menos de novos médicos ou mais faculdades, e mais de um olhar focado em destinar para esses rincões do País estrutura necessária para a assistência plena. Ou, ao menos, de um plano integrado e eficiente que preveja a distribuição dos serviços de baixa, média e alta complexidades ao redor dessas localidades. Ou isso, ou o prolongamento de um debate sem-fim.