[[legacy_image_267490]] A redução dos preços da Petrobras ao redor de 12% para a gasolina e diesel e de 21% para o gás de cozinha nas refinarias vem em boa hora. Os efeitos serão sentidos rapidamente nos custos das empresas e dos consumidores e nos índices de inflação. Falta descobrir se eles serão sustentáveis e se essa política vai resistir a uma eventual disparada do barril. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em um ano, ele caiu de US\$ 114 para US\$ 76 e o recuo de 31% permitiu à estatal vender internamente, até este mês, os combustíveis entre 9% e 15% mais caros na comparação com o mercado internacional, segundo executivos de empresas privadas. No lado político, o acerto do presidente Lula com a medida foi evidente. Ele se manteve discreto enquanto o presidente da estatal, Jean Paul Prates, que é um senador petista com experiência no setor de petróleo, dava inúmeras entrevistas. O anúncio dos cortes de preços foi visto como uma oportunidade para inverter a maré política do governo, que estava sem resultados de curto prazo para mostrá-los no mundo imediatista das redes sociais e sob pressão por tomar medidas sobre temas já decididos pelo Congresso, como marco do saneamento ou a privatização da Eletrobrás. Também foi uma forma de se contrapor à gestão anterior, que precisou trocar presidentes da estatal e brigou com os governadores pela redução do ICMS para cortar os preços dos combustíveis. O foco do governo, neste caso da Petrobras, foi o fim da Paridade de Preços Internacional (PPI), que é o casamento dos preços internos ao do barril e do câmbio, dois componentes altamente voláteis. Mas Prates disse que não deixará de observar o mercado externo, com a diferença de considerar referências nacionais, algo que não é lá uma novidade, pois não tem sentido desconsiderar outros custos, como os de logística. A petrolífera também anunciou que vai fazer uma mediação entre os interesses dos acionistas, uma tentativa de acalmar as dezenas de milhares de pequenos investidores que têm ações da empresa, e o papel social defendido pelo governo, em um discurso esperado pela esquerda. Há ainda outras explicações, como custo alternativo do cliente, que na prática é observar o preço da concorrência, e o valor marginal para a Petrobras que, segundo a empresa, será definido pelas “condições obtidas pela companhia” com produção, importação e exportação, provavelmente os ganhos com boa gestão interna, necessário no mundo dos negócios. Para especialistas no setor, as explicações ainda são muito subjetivas e não diferenciam tanto do que vinha sendo feito, mas indicam que não haverá repasse brusco dos custos com barril e dólar. Mas não tem como não considerar as contas externas, lembrando que se o governo segurar artificialmente os preços, a concorrência vai desaparecer de vez, no caso da importação de diesel, e a estatal terá que cuidar sozinha do mercado, sob o risco da petrolífera não dar conta quando o País voltar a crescer com força.