[[legacy_image_244957]] O levantamento do Sebrae, que apontou que oito em cada dez empregos formais são gerados por pequenos negócios, indica claramente qual o caminho que o governo deve seguir para estimular a economia e o empreendedorismo. Conforme A Tribuna publicou nesta quarta (8), as micro e pequenas empresas abriram 2,17 milhões de postos de trabalho com carteira em 2021 e 1,6 milhão no ano passado, com participação, respectivamente, de 77,7% e 78,4% no total dos novos postos. Portanto, é fundamental que a equipe econômica defina um plano de apoio a esses empreendedores para cumprir a promessa do presidente Lula de expandir a oferta de vagas. Para isso, é preciso atuar em algumas frentes essenciais à sobrevivência das empresas de menor porte – aumentar a oferta de crédito, renegociar dívidas, capacitação para a gestão empresarial e manter o regime especial do Simples Nacional a salvo da reforma tributária. A vantagem de estimular o pequeno negócio como forma de expandir o emprego está na disseminação dessas empresas pelos vários setores da economia. Por exemplo, no ano passado, as micro e pequenas empresas geraram 332 mil postos no comércio, 230 mil na construção, 158 mil na indústria de transformação e 31 mil no campo. Porém, o avanço do empreendedorismo de pequeno porte não se restringe apenas à vontade de caminhar por conta própria. No Brasil, muitos se tornam empreendedores por necessidade, quando buscam um complemento à renda ou por desemprego. Como essas decisões são tomadas no curto prazo e sem a capacitação necessária como gestor empresarial, a iniciativa muitas vezes vai resultar em endividamento seguido de inadimplência e fechamento prematuro do negócio. Os economistas e técnicos do Sebrae relatam um desconhecimento dos iniciantes com a parte financeira, que envolve saber elaborar um plano de negócio para pedir empréstimo nos bancos, que evitam as micros e pequenas empresas devido ao elevado risco de calote. Por isso, é importante o governo aproveitar a experiência da pandemia, com a oferta de financiamento com garantia do Tesouro para estimular os empréstimos pelo sistema bancário privado, não apenas via instituições estatais. O problema é que tudo indica que os esforços estarão voltados, nessa formato de garantia, para combater a inadimplência via programa Desenrola. De qualquer forma, é necessário desatar o nó do empreendedorismo, que está na dificuldade de obter empréstimo. O governo também pode ajudar com um contínuo programa de redução de custos das empresas, o que inclui manter o Simples e o Microempreendedor Individual (MEI). Eles embutem renúncia fiscal, mas poderiam ter mais mecanismos de ascensão aos regimes convencionais, sem isenção de tributos, sinal de que o empreendimento cresceu, mas que não se será punido pelo aumento das despesas com o governo por ter progredido.