[[legacy_image_291907]] O relatório “Encontrando caminhos, financiando a inovação: enfrentando o desafio da transição brasileira”, do Fórum Econômico Mundial em parceria com a consultoria Oliver Wyman, reconhece que o Brasil busca recuperar o papel na liderança ambiental que teve no início do século 21, mas que precisará de R\$ 1 trilhão para alcançar os compromissos de redução de emissão de carbono até 2030. Pelo Acordo de Paris, a meta do Brasil é reduzir em 50% as emissões de carbono até 2030, ou seja, em sete anos apenas. Em 2019, o Brasil era o sexto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, responsável por cerca de 3% das emissões globais. Esse dado parece não ter sintonia com um país que detém uma das maiores reservas verdes do planeta e uma matriz energética de baixo impacto ambiental, mas a explicação está justamente no desmatamento, que sozinho responde por mais de 50% das emissões. Somado ao setor agropecuário, o índice sobe para 70% das emissões. Uma das principais conclusões do estudo do Fórum Econômico Mundial é que os setores produtivos necessitam de maior clareza sobre os caminhos que precisam percorrer para chegar as suas metas individuais, item que ainda não foi definido. Sobre isso, importante destacar o trabalho desenvolvido no ano passado no Estado de São Paulo, o ProAdapta - Adaptação à Mudança do Clima, que previa uma série de iniciativas com vista a preparar os municípios às mudanças climáticas e, como parte do trabalho, estabelecer medidas e ações para algumas das principais atividades econômicas que, sabidamente, respondem por expressivas emissões de gases de efeito estufa. O trabalho previa medidas mitigadoras nas áreas de energia, transporte, agropecuária e uso e ocupação do solo, indústria e uso de produtos, resíduos sólidos e efluentes. A etapa seguinte a esse planejamento seria a definição de metas para cada setor, em sintonia com o empresariado, os institutos de pesquisa e de acompanhamento climático. Um dos maiores gargalos para a eficiência de qualquer programa - seja estadual ou nacional - é a obtenção de recursos para a implementação das medidas. Especialistas garantem que será necessária a participação internacional, financiamento dos bancos brasileiros e suporte do governo para alcançar a cifra milionária prevista no relatório do Fórum, ou seja, o setor empresarial, sozinho, não bancará essa conta. Implementação de tecnologias e mudanças que atenuem impactos ambientais estão na ordem do dia não apenas pelo maior apelo da sociedade e dos consumidores mas, em especial, pelas políticas ESG que vêm crescendo no universo corporativo, premidas por fundos internacionais e pelo próprio sistema financeiro. Importante, agora, é ter regras bem definidas, metas e formas de alcançá-las, inclusive com previsão financeira.