[[legacy_image_283665]] O mercado imobiliário se aqueceu no primeiro semestre na Baixada Santista, conforme a pesquisa do segmento de usados realizada pelo Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), o que é uma conquista para a região, considerando uma elevada taxa Selic, de 13,75% ao ano. A fluidez desse setor representa uma aposta do comprador no crescimento do País e de segurança na solidez do emprego. Ainda há sinais dúbios na economia brasileira, porém, evoluindo para uma melhora, e, no exterior, de recessão (não tão acentuada como se esperava) nos países mais ricos. No dia 2, o Banco Central deverá iniciar sua trajetória de redução dos juros, ainda de forma moderada, mas com reflexos positivos nos setores que mais dependem do crédito para crescer. Entre eles, a construção civil e os de compra e venda de usados. Segundo o Creci-SP, houve um aumento de 41,95% nas vendas de imóveis em junho, em relação ao mês anterior. No primeiro semestre, houve quatro altas mensais e apenas duas quedas, na mesma base de comparação, de acordo com o presidente do conselho, José Augusto Viana Neto, sinal de confiança no panorama econômico do País. Deve-se lembrar que, de cada dez imóveis usados negociados, seis utilizaram recursos do financiamento habitacional. Portanto, a oferta de crédito é fundamental para o setor imobiliário. Por isso, neste momento de recuperação, os sinais do governo para os financiamentos habitacionais são cruciais. A trajetória da Selic é o que sustentará e dará consistência a todo o mercado, mas a equipe econômica precisa mostrar que trabalha sobre bases sustentáveis, o que depende do controle dos gastos públicos, condição para que o mercado financeiro se estabilize. Deve-se reconhecer acertos do Ministério da Fazenda, que soube negociar com o Congresso as votações do arcabouço fiscal (substituto do teto de gastos) e da reforma tributária, e o lançamento de programas prometidos na campanha eleitoral. Isso indica que o governo começa a trabalhar do lado pragmático, ao invés de se perder em discussões sem efeito prático para a população. Esses temas fiscais não são diretamente associados ao mercado imobiliário, mas apontam para uma normalidade econômica, atuando pela confiança do comprador de imóveis de se endividar por um prazo muito esticado. No âmbito da habitação, o governo lançou o Minha Casa, Minha Vida, programa que atende a baixa renda e uma parte importante da classe média. Como lembrou o presidente do Creci-SP, esse programa cobre imóveis de até R\$ 350 mil – na região, 60% das vendas chegam a R\$ 300 mil. O segmento de usados deve ser observado também como parte fundamental do mercado de moradias novas, pois muitas vezes a venda da residência antiga cobre a entrada de unidades na planta ou recém-concluídas. É mais uma engrenagem do setor imobiliário trabalhando para o crescimento da região e do País.