[[legacy_image_342591]] A geração de 180 mil empregos com carteira assinada, que é a diferença entre admissões e demissões, em janeiro, equivale ao dobro do obtido em igual mês do ano passado no Brasil. Entretanto, não significa um resultado fenomenal, pois ficou atrás dos 254 mil de janeiro de 2021. Porém, o que chama a atenção na pesquisa do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Governo Federal, é que, com a exceção de dezembro último, que sofre a influência dos cortes dos temporários, o País tem conseguido manter uma oferta de vagas mensalmente estável. Assim, como no caso do Produto Interno Bruto (PIB), que acabou encerrando o ano passado acima do esperado (3%, ao invés de previsões até inferiores a 1%), a abertura de postos não perdeu fôlego ao longo de 2023. Isso não significa que neste ano esse avanço se repetirá, mas pelo menos ele segue em um ritmo mais animador. O crescimento do mercado de trabalho formal é extremamente saudável para a economia, apesar de alguns efeitos colaterais. O emprego com carteira dá mais garantias sociais ao trabalhador, assim como gera arrecadação para a Previdência Social, altamente deficitária. Há o afastamento garantido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a poupança do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o acesso facilitado a serviços bancários e, principalmente crédito mais barato, além do seguro-desemprego. Porém, a expansão contínua do mercado de trabalho pressiona para cima os salários, o que é positivo para o consumo, mas um custo extra para as empresas. Como consequência, há uma possibilidade da inflação também subir se a demanda superar a capacidade de oferta de produtos e serviços. Isso é muito comum e, por exemplo, uma preocupação nos Estados Unidos. Por lá, a geração de emprego está excepcional, o que pode fazer com que o Federal Reserve (Banco Central) mantenha os juros altos por mais tempo para evitar aumento de preços. No Brasil, já há economistas preocupados com efeito parecido. No mês passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 0,83%, acima das expectativas, mas analistas dizem que isso não significa que nos próximos meses o IPCA voltará a subir. Na prática, a geração de emprego sofre os efeitos de uma produtividade baixa e custos elevados, que tendem a avançar assim que a economia se aquece com mais consistência. Os preços sobem, o Banco Central eleva os juros para controlar a inflação e o País esfria rapidamente. Assim, o Brasil tem intercalado crescimento baixo do PIB com recessão. O gasto público exagerado, que pressiona por mais receita de impostos, infelizmente não está na agenda do dia e a reforma tributária, uma conquista impressionante de 2023, depende de uma regulamentação que não se sabe se vai sair do papel. Assim, o País não acelera seu passo por tempos mais estáveis e prósperos.