Realizaram-se no final de semana eleições para o Parlamento Europeu, com a participação de eleitores dos 28 países que compõem o bloco. O comparecimento foi expressivo, chegando a 50,5%, o mais alto dos últimos 20 anos, revertendo tendência de declínio que se registrava desde as primeiras eleições na União Europeia (UE) em 1979. Em 2014, a taxa de participação havia sido de 42,6%. Os resultados mostram que os europeus não estão satisfeitos com os partidos tradicionais. Os dois maiores grupos do Parlamento Europeu - o Partido Popular Europeu (EPP), à direita, e os Socialistas e Democratas (S&D), à esquerda - perderam espaço, e juntos deverão ter sua representação reduzida de 420 para 329 parlamentares. Esse movimento foi notado em vários países: na Alemanha, a União Democrata-Cristã de Angela Merkel perdeu sete pontos percentuais em relação a 2014; na França o presidente Emmanuel Macron, que tentou persuadir os eleitores que a UE é a resposta para desafios de uma economia mundial incerta e globalizada, saiu enfraquecido, e seu partido ficou atrás da ultra direita de Marine LePen. Em contrapartida, cresceram liberais, verdes e nacionalistas, em claro processo de maior fragmentação política. O balanço, entretanto, mostra que a União Europeia como um todo não está ameaçada: ao contrário, estima-se que os quatro grupos que ocupam o centro pró-UE-Partido Popular Europeu, Socialistas e Democratas, Liberais e Verdes - terão 506 cadeiras no Parlamento, 67% do total (751 eurodeputados). De qualquer maneira, complica-se a formação do consenso político, uma vez que há agora duas novas forças fortes: Liberais, com 107 deputados, e Verdes, com 70, que certamente exigirão voz e espaço. É fora de dúvida, porém, que se frustraram as tentativas de bloquear avanços no processo de integração europeu. Mas a ultradireita avançou, conseguindo eleger 189 deputados (foram 150 em 2014). Na Alemanha, a Alternativa para a Alemanha (AfD) ganhou quatro pontos, atingido 11%, embora os verdes tenham sido o destaque no país, ficando em segundo lugar, com 21%, à frente dos social-democratas. Na Grã-Bretanha, o Partido Brexit foi vitorioso, e na Itália desponta Matteo Salvini, da Liga, que consolidou-se como a principal liderança, com 30% dos votos locais. Pode-se dizer que eleições para o bloco são diferentes de pleitos nacionais, e os resultados não necessariamente coincidem. Mas o mau humor vem sendo demonstrado com a rejeição de siglas tradicionais da direita e da esquerda. Partidos conservadores, como os Republicanos na França, bem como os social-democratas na Alemanha, estão claramente em declínio. O cenário não é definitivo, mas os eleitores parecer se identificar com grupos antiestablishment, que vão da extrema-direita nacionalista a novas propostas, como as dos verdes e liberais.