[[legacy_image_54981]] Começa a ficar maior o fantasma do racionamento energético no Brasil, cenário que foi se desenhando diante das notícias sobre a deterioração do nível dos reservatórios que abastecem as hidrelétricas Brasil afora. Não por outro motivo, há duas semanas um grupo de grandes consumidores de energia elétrica decidiu criar um programa de racionalização para evitar o colapso do sistema. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O fantasma que se teme está bastante atrelado à atividade econômica, e tem como memória o capítulo da história vivida há exatos 20 anos, quando o Brasil passou por um dos períodos de racionamento mais drásticos de sua trajetória, afetando fortemente o PIB e interrompendo a produção de várias empresas. O setor produtivo não quer ser surpreendido, e por isso a iniciativa de se antecipar e montar um grupo de trabalho para desenhar cenários e criar planos alternativos. O medo faz sentido, e agora com um agravante: a economia brasileira começa a dar pequenos sinais de retomada após 15 meses de desaceleração provocada pela pandemia. Com a vacinação em curso e as perspectivas de que mais da metade do País esteja imunizada até o final do ano, setores que viram suas atividades suspensas ou retardadas dão os primeiros passos para ganhar mercado, recontratar e crescer. Tudo que não se quer, neste momento, é parar ou retroceder em planos corporativos de investimento, e agora por razões que fogem completamente ao seu poder de decisão. A boa notícia é que, diferente de 2001, hoje a dependência de energia elétrica gerada nas turbinas das hidrelétricas diminuiu fortemente. Há 20 anos, 90% da energia consumida no Brasil vinha das hidrelétricas, percentual que hoje é de 68%. Novas fontes foram implementadas ou ampliadas, como a energia eólica, biomassa, solar e térmicas a gás. Ainda assim, a crise atual é um retrato de que a dependência dos reservatórios ainda é grande. Em entrevista a A Tribuna na edição de ontem, o presidente da Sabesp, Benedito Braga, descarta desabastecimento de água em São Paulo em razão da baixa nos reservatórios. Essa certeza decorre da série de obras feitas nos últimos anos, que interligaram sistemas a partir do fluxo de rios que dispunham de vazão para isso. Portanto, o risco de rodízio de água, como já se viveu em tempos passados, está descartado. Fica, então, a ameaça de crise energética como única lição de casa para governos fazerem. Resolvê-la ou mitigá-la requer ações que vão além de buscar fontes alternativas. Elas passam por tornar mais eficiente e moderno o modelo de distribuição e cobrança da energia, conscientizar a população e o setor produtivo sobre desperdício e atender com mais celeridade as previsões feitas pelos mecanismos que acompanham o regime de chuvas. A crise atual foi prevista em outubro passado, tempo suficiente para que ações mais eficientes já pudessem ter sido adotadas.