[[legacy_image_185953]] Nas últimas semanas, o Banco Central e instituições financeiras realizaram reuniões sobre o futuro do Pix, sistema instantâneo de pagamentos que se tornou um sucesso indiscutível. Entretanto, as conversas não são sobre novos serviços ou como expandi-lo ainda mais, mas a criminalidade que se aproveita das facilidades dessa tecnologia para praticar todos os tipos de roubos. O BC, o criador desse sistema, entende que são os bancos e startups do setor que devem adotar artifícios para impedir que esses roubos avancem. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Espera-se que cheguem a um acordo sobre as responsabilidades e o que pode ser feito para blindar essas operações. Caso contrário, seu uso ficará inviabilizado. O brasileiro já sabe que as autoridades demoram a agir contra a violência e suas novas modalidades e algumas pessoas passaram a utilizar um segundo celular, geralmente o mais antigo e sem aplicativos bancários, para ser levado a locais ou situações que acham que possam estar menos seguras. Porém, isso limita muito a mobilidade do Pix e está longe de ser uma medida ideal. É como nunca mais sair de casa para não ter o risco de ser roubado na rua. A conclusão da investigação, pela Polícia Civil, de um crime envolvendo Pix em Bertioga revela como os bandidos se adaptaram à nova tecnologia, misturando-a com práticas antigas, conforme A Tribuna publicou na terça-feira. No ano passado, um bando rondou um bairro de Bertioga até escolher uma casa para invadi-la e dois homens armados renderam uma família de quatro adultos e uma criança, amarrando-os. Logo em seguida começaram as ameaças para que fizessem transferências via Pix. Os criminosos tinham até uma maquininha de cartão. No total roubaram R\$ 15 mil das vítimas. Também misturando técnicas antigas de investigação com as novas, adaptadas à tecnologia, a Polícia civil conseguiu identificar a quadrilha - quatro indivíduos foram presos. Além de descobrir o carro usado pelos bandidos e apontar alguns dos suspeitos com passagens pela polícia, a investigação rastreou a transferência do dinheiro até as contas laranjas, encontrando receptadores. Não há crime perfeito e no caso dos que usam meios eletrônicos, há a vantagem de poder rastrear a transmissão dos recursos, ainda que sejam arranjados laranjas para receber o dinheiro – segundo o BC, o combate passa por um maior rigor na abertura das contas. Entretanto, é preciso coibir a ação das quadrilhas, pois empregam métodos violentos na abordagem. Também é fundamental orientar a população sobre formas de aumentar a própria segurança no uso do Pix. Uma das possibilidades, que é impor limites para transações na madrugada, foi acessada por apenas 49% dos correntistas. O sistema bancário precisa adotar mais medidas contra a prática de crimes feita com esse meio de pagamento. A inviabilização do Pix devido à violência seria um fracasso para toda a sociedade.