[[legacy_image_292771]] Uma das dificuldades que os programas habitacionais enfrentam para serem desenvolvidos na região, além da própria inconstância de investimentos do Governo Federal nesse segmento ao longo das décadas, é encontrar terrenos para a construção de moradias. Falta de espaço, preço de metro quadrado e restrições por se tratar de proteção ambiental são gargalos ao desenvolvimento de projetos. Porém, basta circular pelas cidades para identificar partes degradadas ou muito mal aproveitadas que poderiam estar hoje sendo utilizadas para empreendimentos da casa própria. Por isso, a decisão da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) de destinar propriedades federais para investimentos imobiliários, conforme A Tribuna publicou ontem, merece todo o apoio. Espera-se inclusive que prefeituras e o Estado participem do esforço apontando o público a ser atendido e facilitando a parte burocrática dos projetos a serem implantados. De acordo com o órgão federal, por enquanto três áreas serão disponibilizadas a programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida. São imóveis em Itanhaém e dois em Santos, com possibilidade do SPU ofertar outras áreas em São Vicente, Cubatão, Guarujá e mais uma em Santos. Há todo um trâmite burocrático, incluindo projeto elaborado por uma entidade e a Caixa entrar com o funcionamento. Não se trata de uma tarefa das mais rápidas, pois há várias instâncias públicas envolvidas e seus respectivos controles, além da parte interessada não apresentar qualquer impedimento, um ponto importante a ser observado no segmento imobiliário. Dado o histórico de falta de verbas, lembrando que o Minha Casa, Minha Vida tem recursos limitados e meta de construção de 2 milhões de unidades para todo o País, quanto mais rápido um projeto for formalizado, maior será a probabilidade dele sair do papel. Observando o Minha Casa, Minha Vida, após o governo ganhar experiência com o programa desde o fim do segundo mandato de Lula e até a gestão de Jair Bolsonaro, quando foi transformado no Casa Verde e Amarela, essa linha habitacional foi amadurecida e agora permite várias soluções habitacionais, como o retrofit, expressão do mercado imobiliário para a modernização de edifícios ou casarões antigos ou degradados. Portanto, isso tem tudo a ver com Santos, cuja Prefeitura tenta deslanchar a instalação de moradias na região central – basta circular por ela para identificar inúmeros imóveis que poderiam ajudar a reduzir o déficit da casa própria e gerar público consumidor para comércios e empregos no Centro e bairros próximos. Investimentos constantes na infraestrutura urbana do Centro, limpeza urbana e reforço da segurança pública, principalmente após o fechamento das lojas, são fundamentais para atrair o apetite da construção civil para esse segmento habitacional popular, pois o setor público, sozinho, não tem condições de atendê-lo.