[[legacy_image_214031]] O caso do jato executivo que levou ao fechamento do Aeroporto de Congonhas e a uma série de transtornos sinaliza que a gestão do setor aéreo precisa ser aprimorada, incluindo um plano mais amplo de investimento na infraestrutura desse modal. Felizmente, o estouro do pneu não terminou em um acidente de grandes dimensões nem deixou vítimas, mas ele mostra mais uma vez como Congonhas está com suas operações no limite, principalmente com sua localização urbana. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Com o segmento de pequenos aviões em acelerada expansão e boas perspectivas para o comercial, com companhias de baixo custo crescendo no mercado brasileiro, os governos de São Paulo e Federal precisam buscar alternativas para essa demanda, inclusive fora da Região Metropolitana de São Paulo, para onde quase todo o Estado precisa se dirigir. Com o estouro do pneu no começo da tarde do último domingo, a operação de uma aeronave com cinco ocupantes impediu a viagem de 30 mil passageiros no fim da noite do mesmo dia, quando Congonhas foi reaberto. Entretanto, a suspensão das atividades gerou o cancelamento de 296 voos e um efeito em cadeia que atingiu 22 destinos. Passageiros tiveram que ser acomodados em hotéis, as aéreas desencadearam seus sistemas de reembolso ou remarcação e na manhã seguinte muitas pessoas ainda tentavam embarcar. A Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) pediu restrições para aeronaves de pequeno porte em Congonhas, como nos horários de pico. O jato em questão estava na pista principal, que foi fechada, enquanto a alternativa foi liberada, mas apenas para aviões menores. A Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), em defesa do segmento de voos executivos, protestou contra a posição da Abear e questionou se tem sentido concentrar tantas operações em um aeroporto tão importante. Congonhas também enfrenta a limitação urbana e, para dar conta da demanda, o jeito foi reduzir o intervalo entre um pouso ou decolagem e outro, o que incomoda os moradores pelo barulho. O que ficou evidente é que a Capital, por seu gigantismo econômico, precisa dispor de mais aeroportos, ainda que não fiquem em sua área. O mais viável é Viracopos, em Campinas, mas outros, incluindo o que se planeja para Guarujá ou em outras cidades próximas, poderiam ajudar a desafogar o movimento de São Paulo, tanto para atender emergências ou sobrecarga que exijam desviar voos, como suprir necessidades da população local. O segmento executivo também precisa ser considerado, pois está em expansão no mundo todo, inclusive com o questionamento de seu uso para distâncias curtas, com impacto ambiental. De qualquer forma, a aviação exige mais investimentos e planejamento para que um simples acidente, esperando que não ocorra nada mais grave, não resulte em tanto transtorno e prejuízo para milhares de passageiros e empresas.