[[legacy_image_277635]] As mudanças climáticas estão aí e não há como negá-las, principalmente em período de El Niño, que já começou a trazer temperaturas mais altas para o inverno. Entretanto, o grande desafio é partir para a prática, com medidas para enfrentar fenômenos cada vez mais intensos de tempestades, queda de encostas, subida do nível do mar, ressacas e secas. Este foi o alerta dado na terça-feira, durante o fórum A Região em Pauta, evento do Grupo Tribuna e que discutiu o tema Mudanças Climáticas. Adotar iniciativas sustentáveis não é nada fácil, pois envolve migrar de um sistema baseado nos combustíveis fósseis, altamente poluentes e no centro dessa crise climática, para várias matrizes energéticas mais limpas, que precisam de grandes e contínuos investimentos para funcionarem de forma integrada. São hábitos novos que precisam ser inseridos, como reciclar tudo que for possível, comprar novos equipamentos para produzir todo tipo de bens e reordenar a ocupação do espaço urbano e das áreas rurais e as florestas. Há interesses contrários, mas a mudança precisa ser feita já para diluir os atuais impactos e combater os efeitos nocivos que se aproximam. No fórum, o coordenador do Instituto do Mar, da Unifesp Baixada Santista, Ronaldo Christofoletti, alertou para a necessidade de emitir menos gás carbônico, lembrando que não se trata mais de falar em planejar o futuro, mas sobre agir de forma imediata. Exemplo de impactos imediatos das mudanças climáticas não faltam. Christofoletti divulgou dados de uma pesquisa sobre ondas de calor e que nos últimos anos os eventos extremos de temperatura cresceram, por exemplo, 84% no Estado. Também no fórum, a geóloga da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, Célia Regina de Gouveia Souza, alertou que, das ressacas registradas desde 1928, dois terços ocorreram a partir de 2000. Há iniciativas de sustentabilidade adotadas na região, como em Praia Grande, com 100% dos ônibus públicos movidos a biodiesel, e em Santos, com a restauração da vegetação do Monte Serrat para evitar quedas de encostas. Exemplos assim se repetem pelo País, mas a impressão que se tem é que são pontuais ou sem reduzir em ritmo acelerado a economia baseada em combustíveis fósseis. Conclui-se que falta aplicar um plano nacional, que exige coordenação federal, para aprofundar a inserção da sustentabilidade nos meios de produção e nos hábitos da população. Mudanças bem conhecidas e de implantação viável ainda patinam, como reciclagem do lixo e infraestrutura para carros elétricos, aliás, ainda com preços elevados. No Brasil, por sua imensa riqueza ambiental com múltiplos biomas, que enfrentam avanço contínuo das cidades e do agronegócio, não se atingiu um equilíbrio para evitar tal destruição. O País ainda não conseguiu sair da conversa sobre sustentabilidade para a prática para valer.