[[legacy_image_274808]] A revisão da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco S&P Global, que funciona para os governos como um carimbo de bom pagador de títulos públicos, é uma sinalização fundamental sobre quais caminhos o País deve seguir. Certamente que não é o de aquecer o crescimento pela expansão dos gastos federais, brigar com o Banco Central para forçar uma queda brusca dos juros ou abrir os cofres para sustentar uma base alimentada por emendas orçamentárias e ministérios de elevadas verbas, como o da Saúde. A nota dada pela S&P Global representa uma evolução das políticas oficiais por uma rota mais sustentável e responsável. O Brasil continua ainda com o selo de BB-, mas com perspectiva alterada de estável para positiva. Dessa forma, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, repete a gestão de Antônio Palocci na mesma pasta, em 2002, no primeiro Governo Lula. Seis anos depois, o Brasil obteve grau de investimento dessas agências, mas o perdeu sete anos mais à frente, em 2015, na grande confusão econômica em que se transformou a gestão de Dilma Rousseff. Dessa experiência de quase duas décadas se pode tirar duas conclusões: o esforço para se mostrar sério perante o mundo leva muito tempo, mas a derrocada da própria imagem é bem rápida e com efeitos devastadores. O pior resultado que se tem hoje, sem entrar na seara da política, é o nível de endividamento elevadíssimo, que continua avançando e que tira do País sua capacidade de investir em si mesmo. Prova disso é que o investidor (quem compra os títulos, que são os cidadãos, bancos e grandes fundos) passou a exigir um pedágio maior, que são juros de dois dígitos. Na última quarta-feira (14), ao revisar a nota brasileira, a S&P Global considerou que o governo deu “maior certeza sobre políticas fiscais e monetárias”. Haddad, em sua melhor iniciativa até agora, propôs o arcabouço, substituto do teto de gastos ainda a ser votado pelo Senado e que limita a despesa pública, e um esforço de reduzir o déficit de R\$ 230 bilhões para R\$ 100 bilhões. Há ainda a reforma tributária, a mais ampla em décadas, prestes a ser votada. Por outro lado, inflação, taxa Selic e câmbio em queda e saldo comercial que poderá chegar a US\$ 70 bilhões neste ano são condições que devem fazer o Brasil crescer mais do que se esperava. Parte desses fundamentos tem origem externa ou não se deve à troca de governo, pois o petróleo desvalorizou 40% em um ano e o arrefecimento dos preços reflete a Selic altíssima por muito tempo. Mas Lula poderia ter dado razão à ala do PT que ainda acredita em progresso sustentado apenas no dinheiro público e que demoniza o mercado, que envolve os grandes bancos e especuladores, mas que também é formado pelas economias dos pequenos investidores e empresários. O Brasil está no rumo certo, mas de uma forma ainda muito tímida e sujeito a tropeços que poderão estragar uma arrumação de longo prazo.