[[legacy_image_184262]] O aumento dos juros pelo Banco Central em 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano, pode ser um dos últimos adotados pela autoridade monetária contra a inflação, que pelo menos neste mês teve uma leve desaceleração. Mesmo assim, a expectativa é que o processo de redução da taxa básica demore algum tempo para começar, com o País sujeito a uma Selic de dois dígitos por mais tempo do que o previsto. Isso porque há duas fontes de pressão sobre os preços - a valorização internacional das commodities e a injeção de recursos públicos em período pré-eleitoral, que vai no sentido contrário do BC, de enxugar dinheiro para reduzir a demanda (diga-se desaquecer a economia e causar até recessão) para desestimular os reajustes. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O contexto externo é extremamente complexo, pois mistura os resquícios dos efeitos da pandemia, como a interrupção das cadeias de produção. Por exemplo, ainda há falta de componentes semicondutores para as montadoras e a indústria eletroeletrônica. A injeção de recursos dos governos frente à covid-19 e a manutenção de juros baixos pelas economias ricas durante muito tempo aumentaram a circulação de capitais e disseminaram a inflação nesses países, que não estão muito atrás do Brasil nessa área. Enquanto por aqui a alta de preços é de 10% ao ano, nos Estados Unidos ela é de 8% e na Alemanha, 7%. Por outro lado, a guerra da Ucrânia acelerou a valorização das commodities, que assim como no Brasil são as principais exportações do país invadido e do agressor russo. O caso mais delicado é o do embargo de 90% petróleo da Rússia pela União Europeia. No ano passado a cotação do barril estava perto de US\$ 80 e hoje está ao redor de U\$ 120. Enquanto o banco JP Morgan estima US\$ 175 até o próximo trimestre, o Goldman Sachs aposta em US\$ 140. Essas previsões indicam que a estratégia do governo de reduzir impostos às vésperas da eleição não se sustentará por muito tempo. Segundo o presidente Jair Bolsonaro, o litro da gasolina deverá cair R\$ 2,00, em relação a um preço médio hoje de R\$ 7,20. Bastaria um salto de 38% para o valor retornar ao patamar atual, anulando um esforço fiscal estimado de até R\$ 50 bilhões. O percentual de 38 pontos parece alto demais para ser atingido, mas o barril já subiu mais que isso, como 50% ao ano. A melhora do ambiente econômico no primeiro trimestre trouxe a impressão de que o País vai engatar o crescimento daqui para frente, mas economistas alertam que a subida dos juros nos últimos meses vai fazer efeito no próximo semestre, quando as taxas elevadas deverão desestimular os já combalidos índices de consumo e tomada de crédito. O desafio do BC é superar o efeito psicológico da inflação no Brasil, no qual os preços sobem porque se pensa que eles virão ainda mais altos do fornecedor na próxima entrega. Um fenômeno que os brasileiros enfrentam desde os anos 1980 e de tempos em tempos retorna com força.