Na última sexta-feira (20), em todo o mundo, jovens saíram às ruas para protestar contra a falta de ações que mitiguem as mudanças climáticas. Organizadores do movimento estimam que quatro milhões de pessoas participaram das manifestações em milhares de cidades, e foi a primeira vez que criança e jovens protestaram pelo clima em tantos lugares do planeta. Em Nova York, houve a presença da ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que deu início a uma série de protestos em seu país em agosto de 2018. Sua ação continuada, deixando de ir à escola toda sexta-feira, ganhou atenção mundial, e ela passou a defender greves estudantis pelo clima. Na recente manifestação, disse que os jovens estão protestando porque não faria sentido se preparar para um futuro que está ameaçado, acrescentando que "nós estamos aqui para dizer aos adultos que discutam a ciência e ajam". As mudanças climáticas estão acontecendo em todos os lugares. As temperaturas estão cada vez mais altas, e eventos extremos - incêndios, secas, inundações, tempestades - se multiplicam, ameaçando o futuro. Utilizando a internet, os jovens se organizam como nenhuma geração precedente, e os protestos começam a surtir efeito. A Cúpula do Clima das Nações Unidas realizada no último final de semana é exemplo disso. Ela reuniu mais de 150 países e contou com a participação de 500 jovens líderes que defendem o meio ambiente, selecionados pela ONU. Na abertura do evento, o secretário-geral da entidade, António Guterres, declarou que os jovens são essenciais na corrida contra o aquecimento global, uma corrida que, segundo ele, "estamos perdendo", afirmando que é "a geração de vocês que deve nos responsabilizar e garantir que não traiamos o futuro da humanidade". A presença maciça de jovens nessa luta é importante. Eles tiveram papel fundamental em outros movimentos, como a mobilização contra a guerra do Vietnã e a defesa dos direitos civis nos Estados Unidos e contra o apartheid na África do Sul. Foram a força motriz dos movimentos de maio de 1968 na França, com grandes mudanças em todo o mundo. Trata-se da preocupação com o futuro, com a possibilidade, cada vez mais real, de impactos catastróficos da mudança do clima, afetando extensas áreas, com consequências gravíssimas sobre o cultivo de alimentos, além de provocar secas e inundações recorrentes. É importante que o movimento se espalhe. Na região, houve oficinas na Estação da Cidadania de Santos, mutirão de limpeza nas praias e rios no último sábado, organizado pela Marinha do Brasil em parceria com as prefeituras, e presença importante de jovens voluntários. Isso deve prosseguir e se ampliar, de modo a aumentar a consciência sobre a ameaça que paira sobre o mundo, capaz de inviabilizar o futuro.