Um indicador importante sobre a situação demográfica de um país é a razão de dependência, ou seja, a proporção de crianças (até 14 anos) e idosos (com mais de 65 anos) em relação às pessoas em idade ativa, com idade entre 15 e 64 anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a razão estava em 44,0 em 2017. Isso significa que existiam 44 pessoas dependentes para cada cem pessoas em idade ativa naquele ano. Em 2018, o índice se manteve o mesmo, e aumentou para 44,1 em 2019. Os números, embora com variação muito pequena, indicam a inflexão demográfica na população brasileira. Especialistas apontam que o país chegou ao ponto mínimo – razão em torno de 44,0 – e agora ele será expandido. A mudança está ligada ao avanço do número de idosos: a relação de crianças até 14 anos para cada 100 pessoas recuou de 30,7 no ano passado para 30,4 em 2019, com o crescimento daqueles com mais de 65 anos, que passaram de 13,3 em 2018 para 13,7 em 2019. Nos próximos 40 anos, o envelhecimento da população brasileira será notável, e a razão de dependência de idosos em relação ao total deverá triplicar, chegando a 42,6. Em 2060, o índice total estará em 67,2 (incluindo crianças e idosos, mas com peso muito maior deste último contingente), semelhante ao que é hoje registrado no Japão (69), segundo o Banco Mundial. A razão de dependência é conceito estatístico, que não mede a dependência do ponto de vista financeiro. Não necessariamente todos os idosos (ou grande parte deles) são totalmente dependentes de filhos, netos ou outros parentes. Muitos têm aposentadorias, rendimentos próprios (continuam trabalhando) ou acumularam patrimônio ou poupança que lhes dá autonomia para sua vida atual. O envelhecimento tem, entretanto, consequências sociais e econômicas. Implica em maiores investimentos públicos e privados em saúde, e é forçoso reconhecer que parcela dessa população terá dificuldades para sobreviver, levando em conta o aumento da longevidade, e isso será agravado pelo menor número de filhos que possam mantê-los. O Brasil está completando o período que especialistas chamam de “bônus demográfico”, no qual há simultaneamente a queda da fecundidade e da mortalidade. Segundo padrões internacionais, ele chegará ao fim quando a razão de dependência for superior a 50 para cada 100 pessoas em idade ativa, que deve ocorrer em 2035. Economistas, porém, alertam que o bônus já chegou ao fim com o crescimento da população ativa menor do que o restante da população. Para não mergulhar em crise econômica estrutural, os desafios são grandes, portanto, desde já. Se o País quer se preparar para o futuro, precisa investir fortemente em ganhos de produtividade, com melhor qualidade na educação, além de absorver tecnologias de modo acelerado.