[[legacy_image_284667]] Por ora, é só uma ideia, sem formatação definida ou desenho pronto, mas soa positiva a fala do presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, de estabelecer uma Parceria Público-Privada (PPP) para investimentos em infraestrutura e modernização da Usina Hidrelétrica de Itatinga, localizada no pé da Serra do Mar, em Bertioga, além da exploração turística de sua antiga vila, construída ao redor da usina para acolher seus funcionários e famílias. Inaugurada em outubro de 1910, por mais de 100 anos foi a fonte única de energia elétrica para todo o complexo portuário santista, aí incluídas as instalações da própria autoridade portuária e os operadores do Porto. Atualmente, a hidrelétrica produz 15 megawatts por hora de energia elétrica, abastecendo a sede administrativa do Porto de Santos e dez terminais arrendatários. Com a venda dessa energia, produz uma receita mensal de R\$ 2,8 milhões e apura uma despesa de R\$ 2,4 milhões. Em termos de resultado financeiro, o valor é pequeno, sem dúvida, e poderá facilmente entrar no vermelho se obras de infraestrutura, atualizações e novos equipamentos não entrarem no radar dos investimentos. Com 113 anos, é possível imaginar que alguns processos e fluxos possam estar obsoletos e totalmente desconexos com os conceitos de sustentabilidade e eficiência energética. É natural que assim seja, visto que manter uma usina hidrelétrica na estrutura de uma autoridade portuária fez sentido no passado, em que era necessário garantir seu fornecimento para um porto que despontava no cenário nacional, e aguardar os planos de investimento do governo central poderia comprometer as metas que se queria alcançar. Importante destacar o papel que a usina de Itatinga teve e continua tendo, ainda que carente de novos aportes, para transformar o Porto de Santos no gigante que aí está. Porém, outras demandas vêm chegando, e canalizar investimentos públicos nos setores onde a iniciativa privada tem, sabidamente, mais condição de investir, não parece fazer sentido. A usina de Itatinga se encaixa nesse cenário. Outro aspecto relevante, dito pelo presidente da Autoridade Portuária, é a valorização do aspecto turístico de Itatinga. Esse, sem dúvida, é um pilar forte a ser explorado. A Vila de Itatinga guarda uma riqueza histórica ímpar para toda a região, e ainda pouco conhecida turisticamente. Gerações de trabalhadores da usina por ali passaram e escreveram capítulo importante da história de Santos e do porto. A vila era uma minicidade, com escola, mercadinho, posto de saúde, cinema e até um time de futebol que ainda hoje se mantém, com festejos em setembro, quando de sua fundação. Esse legado não pode jamais se perder. Estabelecer uma PPP para a usina deve incluir, em nome dessa história, a manutenção da vila e suas peculiaridades, um potencial a ser explorado, inclusive, para o próprio morador da região, que pouco conhece essa pitoresca vila, encravada no pé da Serra do Mar.