Os baixos salários que desprestigiam um professor e fazem o ensino perder bons profissionais para outras ocupações são apenas uma parte do problema dessa carreira. O Movimento Todos pela Educação aponta que 29% dos professores de Ensino Médio na Baixada Santista não têm formação na disciplina em que dão aula, ficando em 27% no caso do sexto ao nono ano do Fundamental. O reflexo disso são docentes despreparados para levar conhecimento aos alunos, desempenho que gera desinteresse e colabora para a evasão. No Governo Fernando Henrique Cardoso, cumpriu-se o desafio de garantir escola para todas as crianças. Mas passadas quase duas décadas, não houve salto de qualidade nas salas de aula. O Todos Pela Educação é um movimento que tem 13 anos. Suprapartidário, conta entre seus fundadores intelectuais e grandes empresários e trabalha de forma permanente para melhorar o ensino no País. A organização diz que é preciso haver um tripé de condições para uma boa educação, que é a remuneração, condições de trabalho e formação. A primeira é um verdadeira descalabro. Com governos gastadores e mal administrados, os professores recebem salários historicamente baixos. Já as escolas estão defasadas tecnologicamente, sendo que muitas ocupam edificações antigas e sem a devida qualificação. No campo da capacitação profissional dos docentes, o Todos Pela Educação aponta uma situação grave e seus números precisam ser observados pelas autoridades. Estudos sobre como melhorar o ensino não faltam. O grande problema no Brasil é fazer com que os projetos sejam implantados do começo ao meio e ao fim, que sobrevivam à troca de governos e que os recursos não sumam perante à corrupção. O que preocupa é que o Governo Bolsonaro não tem dado sinais de habilidade neste campo ou de que prepara mudanças práticas. Ouviu-se o presidente reclamar do conteúdo das provas do Enem e achar que a orientação ideológica dos docentes é a principal causa da educação de má qualidade no país. Os brasileiros também acompanharam a guerra entre grupos no Ministério da Educação, com queda do primeiro ocupante da pasta, Ricardo Vélez Rodríguez. Agora se fala em construção de dezenas de escolas militares, longe de ser uma solução global. Aliás, fica a impressão que faltará verba para a educação, porque esse investimento não sairá barato. Os ensinos Fundamental e Médio são controlados pelos governos municipais e estaduais, mas os professores básicos dependem muito do Governo Federal, pois é de onde que sairão as diretrizes. A União também tem o papel importantíssimo de liderar a formação profissional dos docentes, mas a solução depende de melhorar a remuneração e investir em equipamentos modernos. Falta aos governantes desviarem suas atenções para essas prioridades.