[[legacy_image_225479]] É um bom sinal o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin considerar que o Brasil poderá atrair investimentos internacionais com o combate às mudanças climáticas e ao desmatamento da Amazônia. A afirmação foi feita durante o evento Fórum Esfera, em Guarujá, no fim de semana. Mas tudo dependerá de quem for conduzir as pastas do Meio Ambiente e da Fazenda. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na primeira, é essencial saber se a ou o titular (a ex-ministra Marina Silva é um dos nomes mais cotados) desse ministério será favorável, por exemplo, ao investimento privado que mira negócios nos biomas, buscando o lucro sem devastá-los. Ou se optará por iniciativas mais moderadas ou por parcerias mais restritas à compensação, como o crédito de carbono. De fato, a tendência ESG (meio ambiente, responsabilidade social e governança na sigla em inglês) veio para ficar e as empresas que interferem mais no ambiental, como as de commodities, têm muito interesse em mitigar o impacto dos combustíveis fósseis. Algumas, inclusive, buscam uma revolução em seus negócios, com produtos e serviços associados às energias limpas. Portanto, a área ambiental do novo governo precisa estar livre de preconceitos para ajudar no fomento de negócios com sustentabilidade. Do outro lado, há a questão da fiscalização e, com ela, não se pode brincar. O papel estatal de conter e punir abusos precisa ser aprimorado, com reforço dos órgãos da área, pois não é preciso ser expert para entender o nível de destruição que o meio ambiente passa. No âmbito da Fazenda, é preciso saber se o novo governo estará disposto a estimular o crédito ou dar isenção fiscal, ainda que temporária, para a mudança de uma economia à base de combustíveis fósseis para uma mais limpa. Como o custo inicial de implantação de novas tecnologias é mais caro, isso vai depender do empurrão do Poder Público. Essa inversão envolve tanto a criação de uma infraestrutura inexistente ou ainda reduzida de sistemas sustentáveis, como carregadores de veículos elétricos nas rodovias ou usinas fotovoltaicas; o preço que os novos equipamentos chegarão ao consumidor final; os bens residenciais de todo o tipo. A disponibilidade dos governos de concederem receita para acelerar uma migração tecnológica é bem complexa. Basta observar a polêmica das alternativas para a continuidade do Auxílio Brasil no próximo ano e o suprimento desses recursos fora do teto de gastos – a regra que limita as despesas do ano atual ao anterior apenas corrigidas pela inflação. Portanto, a margem para estímulos nunca esteve tão limitada como agora. Porém, vê-se muita disposição da sociedade para adotar novas tecnologias sustentáveis, principalmente se propiciarem a redução da conta de luz. Entretanto, a questão não é apenas financeira. O alvo é combater as mudanças climáticas e a sociedade será obrigada a fazer esforços quanto mais demorar essa transição para uma economia de baixo carbono.