[[legacy_image_79232]] Um estudo realizado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) apontou que, de cada 100 pobres no Brasil, 40 são crianças e adolescentes, o que significa uma concentração elevada da miséria nessas faixas etárias. São 20,8 milhões de brasileiros que logo no começo de suas vidas deveriam contar com eficientes sistemas de educação, saúde e segurança pública para saírem dessa condição na fase adulta. Sem essa espécie de cobertura social, são jovens que continuarão dependentes em larga escala de programas assistenciais por muitas décadas a um custo muito maior para o Estado. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O levantamento do IMDS se baseia em dados de 2019 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE e foi publicado ontem pelo jornal Valor Econômico. Fundado pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o economista e ex-diretor do IBGE, Paulo Tafner, o instituto defende a transferência de renda para erradicar a pobreza, mas como forma para propiciar a mobilidade social, como diz o nome da ONG. Porém, não basta apenas fornecer a ajuda financeira contra a fome, mas também investir na qualidade da educação e da saúde. Para reverter esse quadro de miséria, diz o IMDS, a pobreza infantil poderia ser erradicada por R\$ 28,2 bilhões por ano, lembrando que os subsídios concedidos pelo governo às empresas custam R\$ 300 bilhões. Utilizando critérios do Banco Mundial, o ideal seria destinar R\$ 436 por mês per capita às crianças, muito acima do que se vê hoje no Brasil. O Bolsa Família, criado no Governo Lula, é orçado em R\$ 35 bilhões ao ano e apoia famílias com renda mensal até R\$ 178,00 por pessoa. Ele paga um benefício médio de R\$ 190 por grupo familiar. Já o atual governo pretende elevar o valor para R\$ 300, mas ainda não sabe de onde vai tirar a diferença. A sobra do auxílio emergencial cobriria os gastos neste ano, mas fica a dúvida para 2022, ano eleitoral. A transferência de renda não é uma unanimidade e gera intenso debate político, assim como é alvo de preocupação pelo impacto nas contas públicas ou possibilidade de desvios. Há muitos formatos possíveis e o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, defende o formato de vouchers ou uma forma híbrida, como o governo pagar uma parte do salário de um jovem empregado no setor privado, desde que ele se capacite. Muito se discute o impacto eleitoral, mas esses programas precisam ser desenvolvidos como política de Estado e não com o carimbo de um governo. A pobreza hoje mistura elementos da miséria dos tempos antigos com dificuldades impostas pela falta de acesso à tecnologia do século 21. Ao mesmo tempo em que o botijão de gás acima de R\$ 100 devolve muitas famílias à era da cozinha a lenha, milhões de crianças e adolescentes não têm condições financeiras de estudar remotamente por falta de celulares ou computadores. Mas ambas as condições terão reflexos negativos sobre esses jovens daqui para frente.