[[legacy_image_291124]] Motor da economia global nos últimos anos, atrás apenas dos Estados Unidos, a China passa por um momento de instabilidade. Indicadores econômicos importantes, como o nível de emprego e as projeções para o PIB, apresentaram resultados aquém do esperado. O panorama alarmou líderes internacionais e investidores, que de meados de abril para cá resistem a seguir enxergando o país como um porto seguro contra intempéries em outros lugares. Após um breve impulso de atividade no início deste ano, seguido da flexibilização dos bloqueios para conter a covid-19, o crescimento chinês estagnou. Além disso, os preços ao consumidor estão caindo, a crise imobiliária se aprofunda e as exportações enfrentam um período de queda. Para piorar, na semana passada o yuan chinês caiu para seu nível mais baixo em 16 anos. O cenário desfavorável já faz eco no Brasil. Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, admite que o momento negativo da China inspira cuidados. O líder do BC pontuou que, apesar de projeções recentes para o PIB chinês indicarem um crescimento próximo a 4%, o índice é considerado decepcionante em se tratando da segunda maior economia do mundo, que por vezes chegou a se apresentar como ameaça real à hegemonia norte-americana. Grande parceira do Brasil, especialmente nas duas primeiras administrações do PT, a China teve papel fundamental na prosperidade financeira daquela época – os temas ideológicos, evidentemente, ajudaram. Importando de soja a minério de ferro, passando por celulose, carne bovina e outros produtos da indústria da transformação, o governo chinês impulsionou decisivamente a economia brasileira, o que beneficiou direta e indiretamente dos mais bem-sucedidos empresários aos menos favorecidos trabalhadores. À espera de ventos mais favoráveis vindos do Oriente, resta ao Brasil fazer sua lição de casa, o que ainda é um desafio, apesar da aparente sintonia entre Executivo e Legislativo no que se refere às pautas de interesse nacional. Mesmo com as regras previstas no novo arcabouço fiscal, previsões indicam que os gastos no Brasil devem crescer acima da média dos países emergentes. Dessa forma, fica ainda mais claro que já passou da hora de o País rediscutir a estrutura do gasto público. Reduções feitas nos últimos governos foram conjunturais, como o congelamento dos reajustes salariais do funcionalismo público, e serviram apenas para dar um fôlego, sem definir de vez a questão. Em uma demonstração de que a cobrança por austeridade dará a tônica da pauta econômica daqui por diante, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), defendeu o retorno da reforma administrativa à agenda legislativa, após a casa enviar a reforma tributária ao Senado. Lira sustentou que o objetivo da reforma é controlar a evolução das despesas públicas, mas sem mexer nos direitos adquiridos.