[[legacy_image_272287]] Em meio a gargalos logísticos, questões de segurança e custos que desafiam as empresas brasileiras, a Missão Internacional Porto & Mar Brasil-Israel 2023, organizada pelo Grupo Tribuna, mostrou que limitações geográficas, clima extremo e guerras constantes não foram barreiras para o desenvolvimento de Israel, em especial no setor portuário. Entre o domingo passado e quarta-feira, os 42 integrantes da missão, entre eles empresários e autoridades, incluindo o ministro de Portos e Aeroportos, Márcio Franca, conheceram o setor portuário israelense e o impacto da tecnologia e da inovação, baseadas na atuação de startups. A comitiva visitou portos, como os de Haifa e Ashdod, empresas portuárias e as principais cidades do país, como Tel Aviv e Jerusalém. A percepção que se teve é de que a tecnologia, cuja renovação se acelerou no mundo nos últimos anos, depende de uma contínua inovação. Para isso, são necessários investimentos no ensino de qualidade e em pesquisa – o desafio é transferir esse conhecimento para as empresas. No caso de Israel, isso é feito de forma constante pelas startups, que são negócios embrionários que surgem a partir do projeto de uma solução, que pode estar na redução dos custos e do tempo das operações do setor logístico, na triagem dos passageiros nos aeroportos e nas tarefas cotidianas da população. Uma vez escalável, isto é, quando pode ser empregado em qualquer parte do mundo, o empreendimento ganha rápido crescimento e gera lucros. Israel se tornou um país de startups por suas necessidades, como território pequeno, clima muito seco e risco de guerras praticamente desde sua fundação, há 75 anos. Por isso, planejamento, recursos para investir e rigor para cumprir prazos se tornaram questão de sobrevivência. O mais importante é que esse sistema todo acaba se retroalimentando e mantendo a inovação constante, conforme a tecnologia evolui. Israel tem tradição nesse campo e entre suas realizações mais conhecidas estão o pen drive USB, o app Waze e a Mobileye, especializada em sistemas para carros autônomos. Por exemplo: a missão visitou o Terminal de Contêineres de Hadarom (HCT), em Ashdod, que utiliza portêineres remotos, em um sistema semiautomatizado. A operação é feita em sala com oito equipamentos que mais se parecem com videogame. Durante a viagem, o Porto de Ashdod e o Grupo Tribuna fecharam acordo para a criação da Embaixada de Inovação de Israel em Santos, com a meta de atender os portos brasileiros. A parceria permitirá às empresas israelenses conhecer de perto as regras brasileiras para oferecer, por exemplo, inovações para eliminar gargalos logísticos ao setor portuário do País. Conhecendo os acertos em outros países, muitas vezes sob condições bem mais desafiadoras, é possível buscar soluções. Entretanto, determinação, recursos e formação educacional serão sempre a base para qualquer sucesso.