[[legacy_image_216161]] A queda da primeira-ministra britânica Liz Truss pode ser atribuída à inflação, de 10% ao ano no Reino Unidos, acima da brasileira, de 7,17%. Seu breve mandato está associado a uma falta de seriedade para lidar com a alta dos preços. Ao invés de cortar gastos e melhorar a arrecadação do governo, ela pretendia reduzir os impostos da alta renda para estimular o consumo, incendiando as remarcações no comércio, e subsidiando por dois anos a conta de luz. O mercado detestou esse pacote e a libra despencou, com os juros públicos disparando. Em um sistema parlamentarista, as crises políticas são rapidamente resolvidas e a premiê caiu. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O caso britânico foi extremo, mas não está isolado. Inflação gerando impopularidade nos governos é um reflexo da injeção pública de dinheiro na pandemia e da desorganização das cadeias de produção, um fenômeno que não poupa nem a China que, depois de rápida ascensão durante três décadas, agora estagnou. Nos países ricos, os bancos centrais estão temerosos de subir os juros e assim afundar a economia. No lado na política, o medo é a recessão desaguar votos na extrema direita ou mesmo na esquerda. Essa reação (sem calibrar juro) relembra as economias latino-americana dos anos 1980, considerando a devida proporção, que relutaram em tomar medidas duras e cronificavam a inflação e a crise econômica. O mais curioso é que hoje nações mais desenvolvias falam em congelar preços, entre outras iniciativas já fracassadas por aqui. O ex-secretario do Tesouro Nacional Mansueto Almeida atribui a persistência da inflação mundial à demora dos BCs de subirem os juros. Essa política de taxas elevadas não é perfeita, pois leva alguns meses até surtir efeito. Ela encarece o crédito e consequentemente o consumo e investimento, gerando recessão. Além disso, há o risco do BC errar a calibragem e não ter o resultado desejado. É uma medida impopular e na maioria das vezes os economistas divergem sobre o que fazer. Porém, a inflação tem estreita ligação com gasto público, que funciona como um anabolizante da economia, com um excesso de capitais que por um tempo vai sustentar uma subida de custos e repasse de preços. Como as despesas do Governo, em qualquer país, tendem a superar a receita, os juros sobem para atrair o investidor, que deixa de consumir para aproveitar as taxas mais atraentes. A economia vive de ciclos e a era da inflação e juros altos é a que está em vigor, faltando descobrir quanto ela vai durar. No Brasil, o BC errou ao manter a Selic baixíssima por muito tempo, mas teve o bom senso de reagir, antecipando-se aos países ricos. Os Estados Unidos acordaram – seu BC, apesar de ter titubeado, já se decidiu por uma subida mais agressiva. É a economia mais eficiente do mundo, mas o baixo crescimento está praticamente confirmado para 2023. Na Europa, a certeza é pela recessão. No Brasil, a aposta do mercado é crescer abaixo de 1%.